segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O BIG BROTHER DOS CÉUS



DE OLHO NO CRIME. O Big Brother dos céus. Avião-robô da FAB ajuda a identificar e a coibir comércio ilegal de animais, mercadorias e drogas na fronteira do Brasil - HUMBERTO TREZZI, ZERO HORA 26/09/2011

A caminhonete percorre uma estradinha de terra às margens do Rio Uruguai, na fronteira com a Argentina. De dentro dela saltam três homens, que retiram da caçamba do veículo pacotes pardos e os depositam em uma clareira. Agem com calma. Não percebem que, dos céus, uma câmera ultrassofisticada filma a operação. Ela está presa a um avião-robô da Força Aérea Brasileira (FAB), desde julho em uso rotineiro na extensa linha fronteiriça do Brasil com países vizinhos.

A cena descrita acima é real e foi exibida a Zero Hora pelas autoridades da FAB, ontem. As imagens foram gravadas há duas semanas por um Veículo Aéreo Não Tripulado (Vant), a nova arma contra o secular e imbatível – até agora – crime do contrabando. Essa aeronave, operada por controle remoto, desde 12 de setembro é a estrela da Operação Ágata 2, ação conjunta das Forças Armadas Brasileiras contra delitos fronteiriços e ambientais nos estados do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Paraná e do Mato Grosso do Sul.

Sem janelas e sem piloto, o avião é controlado desde um abrigo por dois militares, que manobram joysticks e mouses de computadores junto a uma pista de pouso. Esta semana, o centro de controle está em Santa Rosa (495 km a noroeste de Porto Alegre e a 50 km da fronteira argentina), mas pode ser deslocado para qualquer ponto onde exista infraestrutura para decolagem. Dotado de câmera multidirecional capaz de filmar com nitidez uma pessoa a uma distância de quilômetros, o Vant voa a até 5 mil metros de altitude. É impulsionado por um motor à hélice e pode ficar até 15 horas sem reabastecer.

Quer mais? Pode decolar e pousar de forma pré-programada. E ainda não é detectado por aqueles a quem observa, por dois motivos. O primeiro é que o ruído do motor deixa de ser percebido a uma distância de 1,5 quilômetro. A segunda razão é que é azul claro, confundindo-se com o céu.

– E é econômico. Gasta seis litros de gasolina verde (de aviação) por hora – enfatiza o tenente-coronel Paulo Ricardo Laux, gaúcho de Montenegro, responsável pelo esquadrão da FAB que utiliza os dois Vant disponíveis no país até o momento, ambos sediados no Estado. Um avião normal, à hélice, gasta 260 litros por hora.

E que destino teve a filmagem feita pelo Vant dos contrabandistas flagrados próximos a Santa Rosa? A FAB diz que eles foram rastreados e, sem individualizar os casos, responde com dados: em duas semanas, a Operação Ágata 2 resultou em duas toneladas de maconha apreendidas, oito armas de fogo e 650 kg de explosivos encontrados e 510 kg de agrotóxicos contrabandeados confiscados. Foram revistados ainda 6,6 mil veículos e interceptadas 12 aeronaves.

– Realizamos cem patrulhas aéreas e terrestres, em conjunto. E os Vant tiveram papel fundamental – descreve o major brigadeiro do Ar Flávio dos Santos Chaves, comandante do Quinto Comando Aéreo Regional (V Comar), que coordena as operações aéreas militares no Sul do Brasil.

Sem janela e piloto

- Nome do Vant: Hermes 450
- Fabricação: Elbit, empresa israelense, e AEL, porto-alegrense
- Comprimento: seis metros
- Envergadura (asas): 10 metros
- Velocidade: 110 km/h
- Peso: 450 quilos
- Autonomia de voo: 15 horas
- Alcance: até 250 km
- Armamento: nenhum
- Custo: não revelado



Fortaleza voadora dá apoio à operação

De nada adianta um vigia nos céus se ele não tiver parceria para encurralar o alvo. E o Vant, nesse quesito, está muito bem acompanhado. O apoio para encurralar contrabandistas, traficantes ou potenciais invasores do país é feito por modernos helicópteros UH-60 Blackhawk, os Falcões Negros, comprados recentemente pela FAB e em operação na Base Aérea de Santa Maria.

Os Blackhawk levam no bojo até 16 paraquedistas da Infantaria da FAB, tropa de elite sediada em Canoas. Os militares saltam de paraquedas, descem do helicóptero ainda em movimento e até fazem rapel do aparelho, quando é exigida rapidez na descida e o terreno é impraticável para pouso – num mato, por exemplo. Uma parada dura para os contrabandistas enfrentarem.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Tecnologia policial de ponta sob mãos das Forças Armadas, forças preparadas para a guerra. Enquanto isto as polícias penam para conseguir recursos similares. Mantendo esta estratégia, qualquer dia destes, a segurança pública estará de novo nas mãos dos militares.

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