terça-feira, 3 de março de 2015

A IMPORTÂNCIA DA ADUANA PARA A SEGURANÇA PÚBLICA



FOLHA.COM 03/03/2015 02h00


Sílvia de Alencar



A chamada administração aduaneira ou aduana desempenha um papel essencial para a proteção da sociedade ao atuar no controle e fiscalização de pessoas, mercadorias e veículos que entram e saem do país. A aduana é um órgão de Estado que tem funções diretamente relacionadas à segurança pública ao combater crimes como contrabando de armas, munições, drogas, descaminho e pirataria.

No Brasil, as atividades aduaneiras são realizadas pela Receita Federal que tem a precedência constitucional nessas ações. Mas, ao longo dos últimos anos, o órgão tem fragilizado e limitado sua atuação. A Receita Federal tem atualmente 18.693 servidores da carreira auditoria, sendo 10.769 auditores-fiscais, 7.924 analistas-tributários. Desse total, apenas 2.924 estão lotados na aduana, ou seja, apenas 15,6% da força de trabalho do órgão. Somente 1.826 auditores-fiscais e 1.098 analistas-tributários realizam o controle aduaneiro no país.

Esse efetivo reduzido é responsável por fiscalizar os 16,8 mil quilômetros de fronteira seca e os 7,3 mil quilômetros de fronteira marítima e os rios da região norte. Cabe a esse pequeno número de servidores a fiscalização e controle do fluxo de pessoas, veículos e mercadores que passa pelos 27 postos de fronteira alfandegados, 255 portos, 75 aeroportos, 70 recintos especiais em todo o país, além das ações realizadas na chamada zona secundária que inclui rodovias, estradas vicinais, pontos de comercialização e armazenagem de mercadorias, entre outros.

Para executar o controle de importações e exportações, a fiscalização, a vigilância, a repressão e atuar nas operações de combate ao tráfico de drogas, armas, munições, contrabando e descaminho na faixa de 16,8 mil quilômetros de fronteira seca, a Receita Federal conta com apenas 296 auditores-fiscais e 510 analistas-tributários. Esses servidores ainda se revezam em plantões o que reduz ainda mais o efetivo diário nessas unidades.

Em toda faixa de fronteira na região Norte são apenas 18 analistas-tributários para controlar a entrada e saída de pessoas, veículos, embarcações e mercadorias. A administração da Receita Federal chegou ao limite de fechar unidades como o posto de controle de Porto Soberbo, localizado na fronteira do Brasil com a Argentina.

A atuação dos servidores da aduana brasileira também é comprometida por outros graves problemas. Os analistas-tributários da Receita Federal trabalham sem sequer ter definidas em lei suas atribuições e a garantia do porte de arma. Falta infraestrutura nos postos de controle, viaturas, embarcações e até mesmo equipamentos básicos de proteção. Outro ponto preocupante é a limitação do horário de funcionamento das unidades aduaneiras.

Parte das inspetorias e postos de controle operam apenas em horário comercial. Mesmo em postos na fronteira as atividades se encerram às 18h, quando é interrompida a fiscalização, a vigilância e a repressão. Em muitos desses locais as atividades são realizadas apenas por um analista-tributário. Essas e outras vulnerabilidades favorecem a atuação do crime organizado.

Desde 2010, o Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil (Sindireceita), por meio do projeto "Fronteiras Abertas", vem alertando à administração da Receita Federal, a setores do governo e a sociedade para a urgente necessidade de fortalecimento do controle aduaneiro no País. De fato não houve, nos últimos anos, reforço no efetivo ou investimentos significativos para fortalecer a presença fiscal nos postos da aduana.

Não há, por parte da Receita Federal, uma política de fortalecimento do controle aduaneiro. Nossas fronteiras continuam abertas. É preciso, urgentemente, instituir no país uma política nacional de fortalecimento da aduana, que passa obrigatoriamente pela ampliação do número de servidores, definição em lei das atribuições dos analistas-tributários, revisão da remuneração e a instituição do porte de arma pleno.

São necessárias também medidas estruturantes, como a implementação imediata da Indenização de Fronteira, criada pela lei nº 12.855, de 2 de setembro de 2013, e que aguarda apenas a publicação de um ato da Presidência da República definindo as localidades contempladas.

A aduana deve ser incluída no centro do debate nacional sobre o combate à violência. Se queremos um país mais seguro, precisamos controlar efetivamente o que entra e sai por nossas fronteiras, pois está mais do que provado que a fragilidade no controle aduaneiro é diretamente associada com a entrada de armas, munições, drogas, produtos piratas e contrabandeados que vão abastecer o crime organizado em todo o Brasil.

Fortalecer a aduana é parte essencial na luta contra a violência e a administração da Receita Federal não pode mais se omitir.

SÍLVIA DE ALENCAR, é presidenta do Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil (Sindireceita)


sábado, 1 de novembro de 2014

COCAÍNA DA BOLÍVIA LANÇADA DE AVIÃO

DIÁRIO GAÚCHO E ZERO HORA 31/10/2014 | 16h38

PF prende grupo que usava aviões para lançar cocaína no RS. Suspeitos traziam a droga da Bolívia em pequenos aviões e arremessavam em propriedades na fronteira com a Argentina



Em junho, foi apreendido com o grupo um carregamento de 140 quilos de cocaína Foto: Divulgação / Polícia Federal

Uma quadrilha internacional de traficantes, que transportavam cocaína da Bolívia em pequenos aviões e arremessavam a droga em propriedades rurais gaúchas, foi presa nesta sexta-feira pela Polícia Federal (PF). Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva em Porto Alegre.


A investigação teve início em maio e identificou que os traficantes carregavam a droga em pequenas aeronaves, que cruzavam a Argentina e descarregavam o material em campos localizados próximo à Fronteira Oeste.

Dentro do Rio Grande do Sul, a carga era transportava em veículos para outros Estados e abastecia também o tráfico na zona sul da Capital. No dia 4 de junho, a PF apreendeu na BR-290, em Eldorado do Sul, 140 quilos de cocaína em um veículo, que foi carregado com o material despejado de um avião. Essa foi a maior apreensão no Rio Grande do Sul em 2014.

Polícia Federal prende líder do grupo Bala na Cara Além das ordens de prisão e de busca e apreensão, a Polícia Federal solicitou à Justiça Federal o sequestro de quatro casas em Porto Alegre e de um sítio em Viamão. Os integrantes do grupo serão indiciados por tráfico internacional de drogas e associação para o tráfico.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

PRESO NO BRASIL UM DOS TRAFICANTES MAIS PROCURADOS DO MUNDO



CORREIO DO POVO  23/10/2014

Preso em Roraima um dos traficantes mais procurados do mundo. Ação conjunta da PF e da polícia colombiana capturou Marquito Figueroa, que deve ser extraditado



Um dos traficantes mais procurados do mundo foi preso pela Polícia Federal (PF), em Boavista, Roraima, em ação que contou com apoio da Polícia Nacional Colombiana. Mais conhecido como Marquito Figueroa, o traficante Marcos de Jesús Figueroa García deverá ser extraditado para Colômbia em 60 dias, conforme informou nesta quinta-feira o diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, Oslain Campos Santana.

“É uma pessoa envolvida em violência, movimentação de cocaína, assassinatos e, inclusive, uma fuga espetacular da prisão (na Colômbia) em 2002”, salientou Santana, durante coletiva de imprensa.

Marquito Figueroa responde por mais de 100 processos na Colômbia. Por conta de sua periculosidade, o governo colombiano oferecia recompensa de US$ 250 mil por informações que possibilitassem sua prisão.

“Há muitos anos procurávamos esse delinquente. Ele tem cinco ordens de captura por diferentes delitos, entre eles narcotráfico, contrabando, formação de quadrilha e homicídios. Acreditamos que tenha cometido mais de 250 homicídios, inclusive de autoridades e políticos locais ligados, principalmente, a prefeitos", disse o adido Policial da Colômbia no Brasil, Narcizo Martinez.

Há aproximadamente um ano, a polícia colombiana infiltrou um agente no grupo de Figueroa. “Em agosto, recebemos um comunicado da Colômbia informando que ele estaria em território nacional. Iniciamos uma a investigação e confirmamos que realmente ele estava no Brasil, especiíicamente em Roraima. Requeremos pedido de prisão e extradição ao Supremo Tribunal Federal, o que foi cumprido ontem, em operação conjunta com a polícia colombiana”, explicou Santana.

A prisão não foi imediata, porque a polícia brasileira precisava confirmar a identidade do criminoso. “Tivemos dificuldades, pois, a exemplo de narcoterroristas, ele utilizava documentação falsa”, acrescentou o delegado.

Segundo ele, a operação foi bem planejada e, por isso, não foi necessário nenhum disparo. “Não houve também qualquer reação por parte dele (no momento da prisão)”, observou Santana.

A PF informou que, nom momento da prisão, não foram apreendidas armas, nem dinheiro na casa de Figueroa. “Iniciaremos uma investigação para identificar se ele 'lavou' ativos no Brasil”, assinalou o delegado.

De acordo com o adido da polícia colombiana, é possível que, posteriormente à extradição para a Colômbia, Marquito Figueroa seja extraditado para os Estados Unidos. “Não há nada definido”, ressaltou.

Conforme o delegado da PF, o sucesso da operação deve ser creditado aos acordos de cooperação que a polícia brasileira mantém com países vizinhos, casos da própria Colômbia, Bolívia, Argentina, do Peru, Paraguai e Uruguai. “Por meio dessas parcerias, trocamos informações, experiências e capacitamos policiais em diferentes países. A operação de hoje é um exemplo dessa cooperação”, completou.


quarta-feira, 22 de outubro de 2014

CARABINAS TRAFICADAS DO URUGUAI

DIÁRIO GAÚCHO 22/10/2014 | 04h46


PRF apreende armas vindas do Uruguai em Eldorado do Sul. Carabinas estavam escondidas em um compartimento secreto do porta-malas de uma caminhonete



Três carabinas calibre .556 foram apreendidas Foto: PRF / Divulgação


A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu três carabinas calibre .556 durante uma fiscalização de rotina às 21h30min desta terça-feira no km 111 da BR-290, em Eldorado do Sul.

As armas estavam escondidas em um compartimento secreto do porta-malas de uma caminhonete Santa Fé, de acordo com a PRF. Duas pessoas foram presas: a motorista de 23 anos, e um passageiro de 24 anos.


A dupla foi encaminhada à Polícia Federal em Porto Alegre e autuada em flagrante por tráfico internacional de armas.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

FUZIL AMERICANO NAS MÃOS DO CRIME

DIÁRIO GAÚCHO 21/10/2014 | 09h02

Eduardo Torres

Brigada Militar apreende fuzil americano "abandonado" por criminosos. Arma foi deixada no pátio de uma casa na Vila Jardim, Zona Norte de Porto Alegre. Em poucas horas, policiamento retirou quatro armas de circulação em zonas de conflito



Fuzil norte-americano estava pendurado em uma árvore Foto: Divulgação / Brigada Militar



No intervalo de poucas horas, entre o começo da noite de segunda e a madrugada de terça, ações da Brigada Militar resultaram na retirada de quatro armas das mãos de criminosos em três regiões que vivem conflitos do tráfico na Zona Norte de Porto Alegre.

Na Vila Jardim, policiais do 11º BPM apreenderam um fuzil 5.56, de fabricação norte-americana, abandonado no pátio de uma casa, na Rua Itapema. Segundo a Brigada, havia denúncias de disparos na região desde a noite anterior. A suspeita é de que a arma de guerra tenha sido deixada para trás pelos criminosos com a aproximação de uma viatura. Os PMs encontraram o fuzil pendurado a uma árvore.


Já durante a madrugada, policiais do 20º BPM apreenderam dois revólveres calibre 38 com dois jovens de 16 e 20 anos, no Bairro Mario Quintana. Eles caminhavam pela Rua Manoel Marques quando foram abordados. O bairro foi palco de uma chacina na semana passada.

Também na madrugada, um homem de 40 anos foi preso com um revólver calibre 38 na Rua D da Vila Amazônia, Bairro Rubem Berta.



DIÁRIO GAÚCHO 14/09/2014 | 19h06

Homem é preso em Porto Alegre com fuzil canadense. Arma teria sido comprada por R$ 31 mil e seria levada para o Vale do Sinos



Fuzil foi apreendido em abordagem na avenida João Pessoa, em Porto Alegre Foto: Divulgação / Polícia Civil


Um homem foi preso na noite de sábado, na Avenida João Pessoa, região central de Porto Alegre, transportando um fuzil 5.56, de fabricação canadense. A descoberta foi feita durante uma abordagem do Batalhão de Operações Especiais (BOE). Identificado como Éderson Michel da Rosa Cardoso, o homem admitiu que levava a arma para São Leopoldo supostamente, para proteger um ponto de tráfico. Outro homem estava com ele no Civic abordado pela Brigada, mas acabou liberado quando Éderson admitiu que a arma era só dele.


O suspeito teria confessado à polícia que comprou o armamento pesado em Porto Alegre por R$ 31 mil. Agora, é apurada a origem do armamento e o local onde foi adquirido. Éderson já responde por tráfico de drogas na cidade do Vale do Sinos. A suspeita da polícia é de que o fuzil serviria para impor medo a rivais da região. De acordo com o levantamento do Diário Gaúcho, São Leopoldo está entre as cidades mais violentas da Região Metropolitana neste ano, com 79 assassinatos. A maior parte desses crimes, de acordo com a polícia, relacionados ao tráfico de drogas.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

CONTRABANDO DE FÓSSEIS PRÉ-HISTÓRICOS DESCOBERTOS NO BRASIL

TV GLOBO FANTÁSTICO Edição do dia 19/10/2014


Quadrilha contrabandeava fósseis pré-históricos descobertos no Brasil. Operação da Polícia Federal apreendeu mais de três mil peças muito valiosas para a ciência que seriam levadas para fora do país.





Um tesouro pré-histórico ameaçado. Uma quadrilha internacional roubava da Chapada do Araripe, no Ceará, fósseis raríssimos, como o esqueleto completo de pterossauro, um réptil voador que viveu há cerca de 100 milhões de anos. O objetivo era vender esse patrimônio incalculável para fora do Brasil.

A coleção de fósseis brasileiros raros mostrada no vídeo poderia estar agora nas mãos de colecionadores particulares do exterior. São mais de três mil peças muito valiosas para a ciência, que seriam levadas por contrabandistas.

Após uma operação da Polícia Federal, todo o material foi apreendido. E, nesta semana, entregue para pesquisadores da Universidade de São Paulo, a USP.

“A quadrilha, ela retirava os fósseis lá da bacia do Araripe. Eles levavam para o Curvelo, no interior de Minas, ali os fósseis eram melhor acondicionados, eram escondidos dentro de barris e cobertos com pedras para dissimular a origem. E aí exportavam pelos portos do Rio de Janeiro e São Paulo”, diz o delegado da Polícia Federal Adauto Machado.

Fantástico: A exportação de fósseis é proibida no Brasil?
Delegado: Exatamente. Eles não podem ser comercializados.

A investigação começou em junho de 2012, quando autoridades da França apreenderam fósseis brasileiros. Elas avisaram à Polícia Federal, que localizou o chefe do esquema, Pedro Luis Novaes Ferreira, de São Paulo.

“Estão sendo acusadas 13 pessoas, sendo oito brasileiros, três alemães e dois franceses”, destaca Adauto Machado.

Um dos alemães é Michael Schwickert. Ele já foi indiciado outras três vezes por tráfico de fósseis no Brasil. É um dos contrabandistas mais conhecidos no país.

A investigação revelou que a remessa interceptada na França tinha como destino final os Estados Unidos. Mais especificamente, um museu particular, administrado por outro alemão, Burkhard Pohl.

Em um e-mail, Pedro, o chefe da quadrilha, se oferece para pegar Burkhard, o comprador, no Aeroporto de Guarulhos e ainda convida o alemão para ficar na casa dele.

Escutas telefônicas mostram que o grupo já havia sido abordado por policiais outras vezes, mas sempre conseguia escapar.

Contrabandista 1: Os ‘polícia’ até que era gente boa, dei logo 500 contos para o delegado lá para aliviar as coisas. E o delegado disse ‘rapaz, tu é um homem de sorte, viu, porque se aparece alguém aqui que conheça isso aqui, tu ia se enrolar aqui’.
Contrabandista 2: Pois é, mas isso aí dá cadeia na certa. É proibido, dá uma cadeia do diabo.

Em outra gravação, Pedro, o chefe do grupo, conversa com Euclides Araujo, que extraía os fósseis no Ceará.

Pedro: Você vai ter que tirar aquele bicho maior e deixar ele aí. Você sabe qual é o maior, né?
Euclides: Sei, sei, é o que tem as ‘unha’, né?

O bicho ao qual os contrabandistas se referem é o pterossauro, que agora está com a Universidade de São Paulo.

O fóssil do animal pré-histórico viveu há 90 milhões de anos na Chapada do Araripe no Sertão Nordestino. Segundo a Polícia Federal, o bicho, que é um réptil voador, tinha um metro e meio de altura e quando abria as asas chegava a três metros de envergadura.

“Esse pterossauro é da espécie Tupandactylus imperator. Ele foi descoberto aqui no Brasil por um brasileiro. Aqui é a pata traseira dele, inclusive você pode ver até os dedos. Aqui, para esse pedaço aqui, é a asa, ela tá dobradinha, recolhida, inclusive com os dedos aqui da asa. Essa crista aqui não era de osso, isso aí era cartilagem. É mais que raro, é único. Não tem um outro fóssil dessa espécie completo assim”, explica a perita da Polícia Federal Mariana Machado Albuquerque.

Para a pesquisadora que recebeu as peças, os contrabandistas tinham conhecimento científico.

“Você precisa ter uma certa experiência, uma certa técnica para fazer isso de uma maneira tão cuidadosa. São pessoas que sabem tratar desse material de uma forma bem especifica”, diz a paleontóloga da USP Juliana Basso.

A USP fica a quase 2,5 mil quilômetros de onde os fósseis saíram. A chapada do Araripe, uma das maiores reservas de fósseis do mundo. Rochas com vestígios de animais que viveram quando tudo lá era um grande lago, há mais de cem milhões de anos. Entre eles, os pterossauros. Os pesquisadores de lá jamais encontraram um fóssil com todas as partes do corpo, como o que foi apreendido pela Polícia Federal.

Quem trabalha dia a dia com os fósseis da região tem motivos para acreditar que o tesouro da paleontologia foi encontrado em um lugar como este: uma pedreira onde a exploração de calcário escava diversas camadas de rochas. Uma delas tem as mesmas características da que foi encontrada com o fóssil completo de pterossauro.

“Pela coloração, pela estrutura, deve ter vindo mais ou menos desse nível da formação Crato. Então aquele pterossauro, ele deve ter saído mais ou menos dessa área aqui, de Nova Olinda”, afirma o professor Álamo Saraiva.

O professor Álamo Saraiva coordena o laboratório de paleontologia da maior universidade pública da região. Ele diz que o tráfico de fósseis é comum.

“Existe uma rede grande envolvendo o tráfico de fósseis. Existe um laboratório clandestino de preparação de fosseis aqui na região do Cariri, servindo diretamente ao tráfico. Envolve muito dinheiro, essa quadrilha é muito grande e ela age aqui na região do Cariri há mais de 20 anos”, explica o professor de paleontologia Álamo Saraiva.

Ele deseja que a região possa ter de volta o achado da paleontologia que saiu de lá por mãos erradas.

“Eu fui até a Polícia Federal aqui de Juazeiro do Norte e a gente fez a solicitação para São Paulo desse material, que fosse devolvido aqui para a Bacia do Araripe, para a região do Cariri. É um material que vai nos fazer muita falta”, afirma o professor.

Em São Paulo, Pedro Luis Novaes Ferreira, o chefe da quadrilha, é o único que já foi julgado.

“Ele já foi condenado em primeira instância a três anos de prisão e a uma indenização de quase R$ 2 milhões”, destaca o delegado Adauto Machado.

Ele recorreu da sentença e agora aguarda em liberdade.

sábado, 18 de outubro de 2014

BALA NA CARA NO TRAFICO INTERNACIONAL



ZH 18 de outubro de 2014 | N° 17956


EDUARDO TORRES

GOLPE NO CRIME. Federais prendem líder dos Bala na Cara

OPERAÇÃO DESMANTELA ROTA DA DROGA comandada pela facção gaúcha. Bando, que também trazia ilegalmente armas ao país, chegava a transportar 40 quilos de cocaína por semana para a Região Metropolitana desde Ciudad del Este



A movimentação da Polícia Federal (PF) em um bairro nobre da Capital, na manhã de ontem, tinha como alvo o homem apontado como um dos principais cabeças do tráfico na Região Metropolitana. Em um apartamento de luxo, adquirido há pouco tempo, Luís Fernando da Silva Soares Júnior, o Júnior Perneta, considerado o líder da facção Bala na Cara, foi preso, dando fim a oito meses de investigações contra um lucrativo esquema de tráfico internacional de drogas e armas desde o Paraguai.

A Operação Bom Jesus prendeu outras nove pessoas em Porto Alegre, Cachoeirinha, Cascavel (PR) e Foz do Iguaçu (PR). Entre elas, parte da cúpula da facção. Segundo o titular da Delegacia de Repressão a Drogas da PF, delegado Fabrício Argenta, todos eram diretamente subordinados a Júnior Perneta:

– É uma quadrilha muito capilarizada, por isso sempre é complicado uma investigação mais complexa contra eles. Mas sabíamos que tinha um núcleo hierárquico. Atacamos neste ponto.

Segundo a apuração da PF, o traficante controlava todas as operações da facção. Drogas ou armas encomendadas no Paraguai, ao menos desde o ano passado, tinham o aval dele. Em duas oportunidades, o chefão dos Bala chegou a ir a Ciudad del Este acertar as negociações.

No momento em que o material chegava a Porto Alegre, cabia a ele supervisionar e definir para onde seria distribuído. Conforme os investigadores, Júnior geralmente estava presente no momento de chegada das drogas, mas raramente encostava no entorpecente.

– Ele se fortaleceu ultimamente, comprando drogas e armas a preço de atacado e vendendo na Região Metropolitana como varejista – explica o delegado.

A estimativa é de que até 40 quilos de cocaína e crack eram trazidos por semana de Ciudad del Este à Região Metropolitana. Aqui, o produto era triplicado com aditivos e distribuído em áreas dominadas ou parceiras dos Bala na Cara. Junto, eram trazidas, de forma ilegal, pistolas fabricadas no Brasil e exportadas para o Paraguai.

Desde o começo das investigações, foram apreendidos 180 quilos de cocaína entre quatro carregamentos interceptados. Em 2013, outros três carregamentos totalizando outros 140 quilos, foram interceptados no Paraná. O último deles, em julho, resultou na prisão de Júnior, juntamente com Luís Fernando Duarte Souza, o Nando, atualmente preso na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc). Eles recebiam 20 quilos de cocaína escondidos em um carro no estacionamento de um hospital, no bairro Menino Deus.

No mês passado, o chefão foi liberado da cadeia pela Justiça por falta de provas.

– São provas que, agora, com o encerramento do inquérito, teremos bem firmadas. Acredito que ele responderá pelo crime na prisão – disse o delegado.

Na operação, também foram apreendidos quatro veículos, R$ 50 mil e uma pistola. Os envolvidos responderão por tráfico internacional de drogas e armas e associação para o tráfico. Em virtude das articulações da facção nas cadeias, a PF solicitou que eles sejam encaminhados à Pasc.



Ordem para derrubar os Manos


De acordo com o delegado Fabrício Argenta, o aumento das execuções ligadas ao tráfico de drogas na Região Metropolitana nos últimos meses não é à toa:

– A organização está em plena expansão e, por isso, em rota de colisão com outros grupos para dominar o tráfico. Eles não agem por negociação. Em geral, usam da violência e eliminam rivais.

Nessa disputa por territórios, pelo menos uma ordem de execução teria partido do Paraguai. No começo de abril, o traficante Jair de Oliveira, o Jair Cabeludo, 42 anos, suspeito de ser um dos principais braços da facção nas ruas, sofreu uma tentativa de homicídio em uma loja de autopeças, em Novo Hamburgo. O inquérito foi encerrado pela Delegacia de Homicídios de Novo Hamburgo sem autoria, mas com indício de que o crime havia sido cumprido pelos Bala na Cara.

A ordem teria partido de um fornecedor paraguaio, provavelmente como cobrança de dívida. O que a polícia ainda não descobriu é quem executou o crime.

Em abril, a Operação Panóptico, também da PF, revelou a rota de tráfico internacional dos Manos, coligados dos Balas, com o Paraguai. Na ocasião, 15 pessoas foram presas entre a Capital e o Vale do Sinos.

CÓDIGOS PARA IDENTIFICAR DROGAS

“Peixe” (cocaína) e “MD” (crack) eram códigos usados pelo chefão dos Bala na Cara para determinar as quantidades e quais drogas seriam enviadas para cada ponto dominado pela facção. O depósito ficvava em um sítio no bairro Vila Nova, na Zona Sul.


A ROTA DA DROGA
-A droga era encomendada diretamente pelo líder da facção a um fornecedor em Ciudad del Este, no Paraguai.
-De lá, carregamentos de até 40kg de cocaína por semana eram escondidos principalmente em tanques de combustíveis de carros pequenos e trazidos por “mulas” até a Região Metropolitana.
-A entrega acontecia em pontos movimentados da Capital. Dali, a droga partia para um sítio na Zona Sul, onde era redistribuída aos pontos de tráfico.
APREENSÕES
-Em junho, foram encontrados 70kg de cocaína e cinco pistolas em um sítio no bairro Vila Nova, no depósito do bando.
-Em julho, um dos carros carregados de cocaína foi guinchado a um posto de combustíveis da Avenida Farrapos. Foram apreendidos 30kg de cocaína.