segunda-feira, 18 de agosto de 2014

OS NOVOS IMIGRANTES SOB A AMEAÇA DOS COIOTES

ZERO HORA 18/08/2014 | 05h01

Traficantes de pessoas chegam a cobrar US$ 2 mil para trazer haitianos, que também sofrem extorsão de policiais e taxistas no Peru e na Bolívia. Rede de corrupção inclui venda de vistos e outros documentos falsificados

por Carlos Rollsing e Humberto Trezzi


"Por sorte, eu tinha dinheiro, mas muitos haitianos que ficam na mesma situação são obrigados a passar fome", diz RoldyFoto: Diego Vara / Agencia RBS


Falar com os novos migrantes radicados no Rio Grande do Sul (personagens de reportagem especial publicada na ZH deste domingo) também é colher testemunhos de um martírio. Quase todos penaram no caminho até o Brasil, sobretudo os que ingressaram pelo Acre, na fronteira com o Peru. São frequentes os relatos de extorsão por parte de coiotes – traficantes de seres humanos – e da polícia estrangeira, além de casos de estupro.

Wilkenson Samsom, 19 anos, vive com o pai em Encantado. Ambos trabalham em frigorífico da Dália Alimentos. Para realizar o sonho da vida melhor, o jovem teve de pagar US$ 300 a coiotes e policiais peruanos. Situação semelhante ocorreu com Roldy Julien, 25 anos, presidente da Associação Haitiana de Encantado. Ele fez a rota da maioria dos seus compatriotas: foi até Quito, no Equador, e lá tomou um ônibus que atravessou parte do país, ingressou no Peru e chegou até a fronteira do Brasil, entrando pelo Acre.

No Peru, com quatro amigos, foi extorquido duas vezes. Na primeira, o quarteto teve de pegar 500 sóis (moeda peruana) e mais US$ 300. Receberam um salvo-conduto. Dias depois, perto do Brasil, foram abordados novamente. Veio a notícia de que o papel que tinham em mãos já não valia mais. Dessa vez, Julien foi forçado a pagar sozinho a quantia de US$ 200. Seu passaporte ainda ficou apreendido por uma semana, tempo em que ele precisou se desdobrar com o dinheiro que lhe restava para garantir teto e comida.

— Não sei se tem ladrão no Peru. Mas parece que a polícia é pior — desabafa Julien, que, no Rio Grande do Sul, perdeu três dedos da mão direita em um acidente de trabalho.


Os relatos se repetem desde 2010, quando explodiu a nova imigração para o Brasil. Em maio de 2011, 20 haitianos recorreram à Polícia Federal em Tabatinga (AM), denunciando um compatriota deles chamado Repert Julien, 28 anos, que teria descumprido promessa de hospedagem paga por eles. Em 5 de julho daquele ano, os federais prenderam Julien, que cobrava até US$ 2 mil para trazer haitianos do Peru ao Brasil. Foi o primeiro inquérito de uma série.

No Acre, foi preso em abril de 2013 o jogador de futebol haitiano Innocent Olibrice, quando tentava embarcar no aeroporto de Rio Branco um garoto de 13 anos, haitiano, para Macapá (AP). Innocent, que atuava num time acreano e foi solto cinco dias depois, responde a processo judicial por tráfico de pessoas e estelionato. De acordo com as investigações da PF, o atleta está envolvido numa rede de coiotes. Ele foi contratado pela família do menino para encaminhá-lo à Guiana Francesa ao custo de 500 euros (o equivalente a cerca de R$ 1,5 mil).

Innocent negou a acusação, mas é processado. A pena para o tráfico é de um a três anos de reclusão e expulsão do país.A socióloga Letícia Mamed entrevistou centenas de migrantes no Acre e constatou: a fuga em razão da falta de trabalho, educação, saúde, habitação e segurança no seu país de origem impulsiona a migração, seja legal ou ilegal. No Haiti, por exemplo, esse negócio conta com despachantes, falsificadores, aliciadores e coiotes no processo de agenciamento. Relatos também informam existir naquele país a venda de vistos e outros documentos falsificados, inclusive supostas facilidades que prometem acelerar a viagem. Algo que aumentou após o terremoto de 2010.

Na viagem ao Brasil, os haitianos pagam entre US$ 2 mil e US$ 5 mil (valor semelhante ao cobrado de ganeses entrevistados por ZH em Criciúma e em Caxias do Sul). E são vítimas frequentes de extorsões praticadas por policiais e taxistas, sobretudo peruanos e bolivianos. Letícia estima que, de 2010 a 2014, os haitianos já teriam gasto cerca de R$ 6 bilhões em pagamentos à rede de tráfico e corrupção estruturada para chegar ao Acre.

E não só haitianos. Em torno de 16 diferentes nacionalidades já passaram pelo acampamento montado pelas autoridades acreanas na fronteira com o Peru. Todos mostram receio em falar sobre os contatos, a organização do percurso, os agentes contratados e a realização da viagem em si. E quando decidem falar sobre o assunto, geralmente as explicações são pactuadas pelo grupo antes da exposição ao interlocutor.





Empresas agilizam os vistos e arranjam emprego aos migrantes

A vigorosa migração de africanos e centro-americanos para o Brasil tem rendido lucros a dois tipos de empresas: as que se especializam em legalizar a situação dos imigrantes e as que prometem colocá-los no mercado de trabalho. O primeiro serviço é o mais urgente – sem ele, o forasteiro fica clandestino. O segundo é necessário para viabilizar financeiramente a permanência do estrangeiro no país. Esse tipo de intermediação é permitido pela lei.

Em Criciúma, maior polo de atração de ganeses para o Brasil, Zero Hora recebeu a informação de que uma das empresas que legaliza a situação de estrangeiros é a Fullvisa, de Brasília. O site da firma anuncia alguns dos serviços oferecidos: visto temporário para quem tem trabalho no Brasil, transformação do visto temporário em permanente, solicitação de permanência definitiva com base em casamento com brasileira (o). No item Nossa Visão, a Fullvisa não esconde a meta: “Atingir a liderança no mercado nacional de imigração de estrangeiros”.

Como a Fullvisa se localiza em Brasília, torna-se mais fácil e ágil a entrada, acompanhamento e eventuais visitas aos órgãos responsáveis pela análise dos pedidos de visto, uma vez que estes se encontram na Capital Federal – justifica a empresa, que atua há 10 anos.

Proprietário da Fullvisa, o administrador de empresas Charliston Ferreira admite que seu ganha-pão é a legalização de estrangeiros, mas nega que priorize a nova onda de migrantes africanos e centro-americanos. Trabalha mais com auxílio a empresas europeias e americanas que pretendem trazer seus funcionários para o Brasil, para pequenas ou grandes temporadas.

– Agimos como despachantes especializados em estrangeiros. Atuamos em processos administrativos junto ao Ministério do Trabalho, requisições de visto à Polícia Federal. Conseguimos legalizar a situação de algumas centenas por ano – diz Charliston, que aprendeu o ofício nos EUA.

Agência ganha a cada empregado

Outra empresa que atua na legalização de estrangeiros é a Overseas, com sede em São Paulo. O foco é em grandes empresas multinacionais que precisam estabilizar a vida de seus funcionários estrangeiros no Brasil, mas também legaliza novos migrantes caribenhos e africanos. Há poucos dias, a Overseas conseguiu agilizar vistos para 20 haitianos que atuam num supermercado e em duas firmas de construção civil. Foi contratada pelas empresas, não pelos migrantes.

– Prestamos consultoria, ensinamos os caminhos mais ágeis – resume Mateus Valério, gerente da Overseas.

Nem ele, nem o dono da Fullvisa revelam valores cobrados.


Fábrica de móveis contrata migrantes via agência que atua há 21 anos na Serra. Foto: Diego Vara, Agência RBS

O passo seguinte, para o migrante, é conseguir serviço. É aí que entram empresas como a Talentum, agência de empregos que atua há 21 anos na região serrana do Rio Grande do Sul. No ano passado, eles arranjaram serviço para 80 migrantes africanos e caribenhos. Foram trabalhar em indústrias de sucos, de móveis, autopeças e limpeza. O recrutamento e seleção exige que pelo menos um do grupo de migrantes fale português ou espanhol. Ele será o guia dos demais nas negociações de trabalho. E qual o ganho da Talentum?

– Cobramos do empresário que vai dar emprego aos migrantes 50% do primeiro salário de cada um dos novos empregados. É uma taxa padrão – informa Ricardo Soldatelli Borges, proprietário da Talentum, que é psicólogo e ajuda a fazer a triagem. – O valor não é deduzido dos contracheques.

Borges se orgulha dessa atividade e diz que desconhece reclamações quanto à qualidade do serviço prestado pelos migrantes:

– Com a presença dos estrangeiros, diminuíram as queixas quanto a faltas ao serviço e empregados doentes.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

ATAQUES A NAVIO NO PORTO DE RIO GRANDE

CORREIO DO POVO 01/08/2014 00:31

Ananda Müller/Rádio Guaíba

Polícia Federal abre inquérito para investigar ataques a navios no Porto de Rio Grande. Embarcações foram invadidas durante a madrugada desta quinta-feira



Invasão teria acontecido durante a madrugada
Crédito: Divulgação Polícia Federal / CP


A Polícia Federal (PF) abriu nesta quinta-feira inquérito para investigar dois ataques realizados contra navios atracados em águas próximas ao Porto de Rio Grande, no Sul do Estado. De acordo com nota divulgada pela assessoria da PF, o primeiro navio foi invadido por volta das 3h, à distância de 10 milhas além da barra. Conforme informações preliminares, alguns contêineres armazenados no interior da embarcação foram arrombados e embalagens de carne foram roubadas. A suspeita é de que os invasores tenham fugido em uma pequena embarcação.

O segundo caso foi registrado em um navio de bandeira espanhola que fazia o transporte de gás. O barco foi invadido pelos bandidos por volta das 5h, no Canal do Porto. A tripulação percebeu a presença dos invasores e o alarme foi acionado, momento em que os bandidos fugiram com o auxílio de cordas pela lateral do navio. O bando escapou também em uma pequena embarcação.

A Polícia Federal realizou a coleta de provas e impressões digitais, e deve ouvir a tripulação dos navios invadidos para tentar identificar os autores das ações criminosas. Além disso, as imagens das câmeras de segurança do Porto de Rio Grande devem ser solicitadas para auxiliar nas buscas aos suspeitos. A Polícia também não descartou que o mesmo grupo seja o autor dos dois ataques.





sábado, 19 de julho de 2014

CEM QUILOS DE MACONHA EM URUGUAIANA

CORREIO DO POVO 19/07/2014 09:41

Ação da PF apreende 100 quilos de maconha em Uruguaiana. Toyota Corolla transportava droga na BR 290 e dois homens foram presos




Ação da PF apreende 100 quilos de maconha em Uruguaiana
Crédito: Polícia Federal / Divulgação / CP


Uma ação conjunta da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu na madrugada deste sábado 100 quilos de maconha em Uruguaiana, na Fronteira Oeste do Estado.

Segundo informações dos policiais rodoviários, a apreensão ocorreu no km 714 da BR 290, quando a droga foi encontrada em um Toyota Corolla que era conduzido por um idoso de 66 anos.

O homem era acompanhado por um comparsa, que estava em um segundo veículo, um Ford Ka, que serviu de batedor. Os suspeitos foram encaminhados à PF do município para o registro do flagrante.

TRÁFICO DE MUNIÇÕES

CORREIO DO POVO 19/07/2014 11:42 

Jerônimo Pires / Rádio Guaíba

Homem é preso por tráfico de munições em Vila Nova do Sul. Carro usado por suspeito era clonado e foi localizado na BR 290




Homem é preso por tráfico de munições em Vila Nova do Sul
Crédito: Polícia Federal / Divulgação / CP


Um homem foi preso na noite dessa sexta-feira por tráfico internacional de munições de uso restrito e receptação de veículo clonado. A ação da Brigada Militar (BM) e da Polícia Federal (PF) ocorreu no km 371 da BR 290 em Vila Nova do Sul, na região Central do Estado.

Segundo os agentes, no interior do Nissan March, de cor prata e emplacado em Porto Alegre, foram localizados 1.102 projéteis. O carro era clonado. O preso, de 31 anos, é natural de São Leopoldo e não possuía antecedentes criminais.

São 500 cartuchos de fuzil, 350 de pistola 9 milímetros (de uso exclusivo das Forças Armadas e da Polícia Federal, 250 munições de pistola 380 e 2 cartuchos de revólver 38. A maior parte do armamento é de origem estrangeira. Além da munição e do veículo, os agentes também recolheram R$ 7 mil em dinheiro, quatro celulares, cartões bancários, um leitor e gravador de cartões magnéticos e joias.



segunda-feira, 30 de junho de 2014

CARREGAMENTO DE 7O KG DE COCAÍNA É INTERCERTADO NUMA CASA EM PORTO ALEGRE


DIÁRIO GAÚCHO 29/06/2014 | 16h11

Eduardo Torres

Apreendidos 70kg de cocaína em casa da Zona Sul. Droga vinha em carregamento do Exterior e foi interceptada pela Polícia Federal. Cinco pistolas também foram apreendidas em casa no Bairro Vila Nova



Material foi apreendido no Bairro Vila NovaFoto: Divulgação / Polícia Federal



Uma ação conjunta da Polícia Federal com a Brigada MIlitar terminou, na madrugada deste domingo, com a interceptação de um carregamento de 70kg de cocaína que chegavam a uma casa no Bairro Vila Nova, Zona Sul de Porto Alegre. Um homem de 29 anos, que teria recebido a droga e a armazenado na casa da tia foi preso em flagrante.

De acordo com o delegado Fabrício Argenta, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, da Polícia Federal, a maior parte da droga estava na forma de pasta-base, e provavelmente seria transformada em crack para a venda na Capital.

Os tijolos de cocaína já haviam sido escondidos em um forro falso na parede da garagem da casa. Junto da droga, havia ainda três pistolas 9mm e duas .380. A suspeita é de que também tenham sido adquiridas no Paraguai.


DIÁRIO GAÚCHO

quinta-feira, 29 de maio de 2014

DESMANTELADA QUADRILHA DE TRÁFICO INTERNACIONAL DE DROGAS


CORREIO DO POVO 29/05/2014 09:59


PF desmantela quadrilha de tráfico internacional de drogas. Operação Suçuarana foi deflagrada no Rio Grande do Sul e no Mato Grosso do Sul



A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quinta-feira a operação Suçuarana para desmantelar uma organização criminosa de tráfico internacional de drogas. Devem ser cumpridos mandados de prisão e 26 mandados de busca no Rio Grande do Sul e no Mato Grosso do Sul, além do sequestro de 21 imóveis e 120 veículos, entre carros, utilitários e caminhões.

A investigação da PF durou aproximadamente um ano e desmontou um esquema de tráfico que movimentava células em diversos estados brasileiros. Neste período, houve apreensões de entorpecente, totalizando 1,1 tonelada de cocaína e 3 toneladas de maconha. Mais de 150 policiais federais estão envolvidos na ação.

A cocaína saía da Bolívia e chegava ao Paraguai de avião, em seguida era atravessada para o Brasil, via terrestre, até Ponta Porã. Lá havia um laboratório de refino, estourado em 28 de março. O entorpecente era embalado e transportado para Dourados (MS), de onde seguia em fundos falsos de caminhões para quatro estados: Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Alguns integrantes da quadrilha moravam em condomínios de luxo e possuíam carros importados. Em um dos casos, um indivíduo montou uma revenda de veículos para justificar o seu patrimônio. Os presos devem responder pelos crimes de Tráfico de Drogas com agravante pela transnacionalidade, Associação por Tráfico, Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro. Se somadas, as penas máximas ultrapassam 33 anos de prisão.



A operação foi entitulada Suçuarana em referência a um dos nomes da onça-parda, mamífero com ampla distribuição geográfica e exímio predador. A relação vem com o alcance do grupo e sua agilidade em realizar operações de tráfico.


quarta-feira, 28 de maio de 2014

ARMAS ILEGAIS E O TRÁFICO ALIMENTAM A VIOLÊNCIA NO PAÍS




O ESTADO DE S.PAULO, 27 de maio de 2014 | 20h 52


Falta inteligência estruturada para os órgãos do Estado atuarem contra o crime organizado om mais eficiência

Bárbara Bretanha


SÃO PAULO - O crime organizado, especialmente o tráfico de drogas, tem uma simbiose com o mercado de armas que aumenta a violência no Brasil. O País é líder em número de homicídios por armas de fogo, de acordo com o relatório Mapa da Violência de 2013. Levantamento realizado em 2010 pela ONG Viva Rio estimava que 57% das 17,6 milhões de armas em circulação são ilegais. O crime organizado detém um arsenal de 5,2 milhões de armas, tornando evidente a relação entre a insegurança e a atuação de grupos de bandidos. "O problema do tráfico é que todo o processo é ilegal e, portanto, cercado de uma insegurança que exige que seus membros andem armados.” afirma a professora titular da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) Alba Zaluar.

Alba aponta a política de combate às drogas como um dos problemas. A ilegalidade faz com que o processo, da produção à distribuição, seja acompanhado de violência. Segundo levantamento de 2013 do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), 25% da população carcerária é formada por condenados por narcotráfico. Mas muitos presos são usuários ou pequenos traficantes, facilmente substituíveis no crime. “O Brasil precisa melhorar a forma de combate, com base na inteligência. Não adianta focar nas facções criminosas que atuam só no varejo, são valores muito menores que o de figurões que nunca são investigados, mas que estão por trás do tráfico”, afirma a professora. “A impunidade é garantida pelo fato de a investigação ser muito difícil, porque tem a complacência e atuação dos próprios agentes do Estado, principalmente no Judiciário. Onde quer que haja tráfico, há polícia corrupta.”

“Damos ênfase às organizações nascidas nas cadeias, como o PCC e Comando Vermelho, mas não existe grupo criminoso no mundo que tenha existido sem vínculo com o Estado”, afirma o cientista político e ex-subsecretário de Segurança Nacional Guaracy Mingardi, “É uma tradição brasileira fingir que o problema não existe.”

Para Mingardi, o Rio de Janeiro é um bom exemplo. “O Estado fingia que o tráfico nos morros era uma coisa sem solução, como se fosse algo da natureza, e deixava o controle de grande maioria dos morros para a criminalidade.” De acordo com o cientista político, só depois que o problema foi redefinido tornou-se possível reconquistar o território ocupado pelos bandidos. “O Estado readquiriu o controle formal, mas isso não diminui a força do tráfico”, diz.

Segundo Mingardi, mesmo que o Rio de Janeiro consiga desmantelar a cúpula do Comando Vermelho, outra organização assumirá o espaço deixado. “Foi o que aconteceu na Colômbia com o Cartel de Medellín. É preciso perceber o que faz essas organizações ficarem fortes”, afirma. De acordo com o cientista político, um dos principais problemas é a falta de inteligência estruturada das forças policiais e a cooperação entre setores. “O que existe é uma série de informações desconectadas”, diz. Para Mingardi, outro problema é a ausência de forças-tarefas e um sistema de investigação contábil, para identificar o dinheiro do tráfico.

Para a pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da USP Camila Nunes Dias, o problema é falta de interesse político. “A polícia deve identificar quem está no centro e quem são os financiadores, sobretudo no narcotráfico”, diz. De acordo com Camila, os membros realmente influentes raramente são perseguidos, enquanto os mais pobres acabam na cadeia. Ela cita o exemplo do helicóptero da família do senador Zezé Perrella (PDT-MG) apreendido em Espírito Santo com quase meia tonelada de cocaína no fim de 2013. Apenas os pilotos e os carregadores da droga foram investigados. Em abril deste ano, acabaram soltos pela Justiça Federal e vão responder ao processo em liberdade.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - É sabido que a armas de guerra e drogas pesadas passam pelas livres e abertas fronteiras do Brasil, sem controle, monitoramento constante , ações efetiva e policiamento ostensivo e permanente. A segurança nas fronteiras é executada de modo amador, superficial, pontual, improvisado e inútil para enfrentar os ardilosos contraventores e traficantes internacionais.