sexta-feira, 1 de março de 2013

PESSOAS DESAPARECIDAS


JORNAL DO COMERCIO - 01/03/2013

Aldacir Oliboni


O desaparecimento de pessoas em nosso Estado é algo mais comum do que se imagina. Fechamos 2012 com 4.696 pessoas que sumiram do convívio dos familiares e ainda não foram localizadas. Muitos podem estar na mesma situação das meninas recentemente encontradas em Altamira, no Pará, sequestradas, exploradas sexualmente, escravizadas, vendidas por familiares ou seduzidas pela promessa de dinheiro fácil, a isca das redes que operam o tráfico de pessoas. Esses milhares de gaúchos podem estar, hoje, em algum lugar do Brasil, do Mercosul ou da Europa, reféns de um crime difícil de identificar. Em outros casos, crianças retiradas de suas famílias podem ter sido vendidas e registradas como filhas ou filhos de outros casais, em adoções ilegais. Nosso Estado integra redes de proteção e tem políticas públicas que são exemplos para o restante do Brasil, mas, infelizmente, o crime organizado está cada vez mais ousado e eficiente no lucrativo negócio de vender gente.

A característica de nossa colonização e o fato de sermos fronteiriços com países do Mercosul são atrativos para que pelo menos 28 rotas nacionais e internacionais de tráfico de seres humanos cruzem o nosso território. Toda esta realidade fará parte do trabalho da Frente Parlamentar em Defesa das Pessoas Desaparecidas, a qual terei a responsabilidade de coordenar. Um instrumento que, se não terá o poder de polícia, terá o poder de mobilizar ainda mais a sociedade para enfrentar as causas que levam ao desaparecimento de um gaúcho ou gaúcha. Os 37 deputados e deputadas que integram a Frente irão percorrer os quatro cantos do Estado no intuito de fortalecer a rede de proteção e agilizar a busca de desaparecidos.

Deputado estadual/PT

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