Izabelle Torres E Edson Luiz . Enviados especiais - CORREIO BRAZILIENSE, 01/08/2011
Manaus, Rio Branco e Porto Velho — Os dados sobre a entrada de estrangeiros no Brasil incluem investigações policiais sobre a atuação de coiotes e agenciadores que ajudam migrantes com os vistos negados a entrar de forma clandestina no país. Nos últimos três anos, a entrada ilegal ocorreu principalmente pelos estados do Norte brasileiro e envolveu haitianos, indianos e chineses, além de bolivianos, peruanos e colombianos. Gente que aproveita a imensidão da Floresta Amazônica e paga para criminosos evitarem que eles tenham de se submeter aos processos legais e à fiscalização das fronteiras.
No Acre, a Polícia Federal investiga a atuação de taxistas que não apenas ajudavam estrangeiros a entrar no país de forma clandestina, como atuavam no comércio de passaportes. A depender do destino pretendido pelo estrangeiro, o documento é vendido por até US$ 3 mil. O comércio de passaportes fez com que a Polícia Federal reforçasse o posto que atende as cidades de Brasileia e Epitaciolândia, dois municípios localizados na fronteira com a Bolívia, onde estão dezenas de haitianos que chegaram ao estado, muitas vezes de forma clandestina. Boa parte dessas pessoas deixou o país caribenho após o devastador terremoto de janeiro de 2010.
No Amazonas, os policiais investigam a atuação de criminosos que teriam aliciado dezenas de haitianos prometendo trazê-los para o Brasil em troca do pagamento de US$ 2 mil. Em junho, a Polícia Federal prendeu Repert Julien, 28 anos, depois que ele foi citado pelos haitianos como o responsável por “vender o trajeto” até o Brasil e trabalhar para driblar a fiscalização na fronteira.
As investigações sobre a atuação de coiotes no estado envolvem até um padre, que trabalha na cidade de Tabatinga, a cerca de 500km de Manaus. Ele foi citado pelos haitianos como uma das pessoas que teriam colaborado no processo de entrada dos grupos. A polícia ainda não concluiu a apuração. “Quando os estrangeiros chegam aqui, são entrevistados e analisamos seus históricos de vida. Entramos em alerta quando as histórias são estranhas e envolvem gente que se propôs a ajudá-los na travessia”, explica o delegado Charles Gonçalves, da Polícia Federal.
A entrada ilegal de migrantes chineses, cujo destino é São Paulo e a Região Centro-Oeste do país, também tem deixado em alerta a Polícia Federal de Rondônia. Há dois anos, uma megaoperação desbaratou uma quadrilha de coiotes que, assim como no Acre, era formada por alguns taxistas que faziam o transporte dos estrangeiros até a capital paulista. A quadrilha também tinha entre seus integrantes alguns donos de pequenos hotéis ao longo da BR-364, que liga Porto Velho ao restante do Brasil. O esquema era chefiado por um chinês residente em São Paulo que acabou preso pela Polícia Federal em 2009.
Este Blog destaca o cenário atual de descaso, descontrole e insegurança nas fronteiras do Brasil, produzido políticas governamentais superficiais, militarizadas, pontuais, omissas na competência federal e inoperantes na contenção dos crimes de contrabando, descaminho, abigeato e tráfico de pessoas, armas, munição, drogas, valores, arte, veículos e animais.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
TRANSPORTE DE DROGAS - MULAS SÃO RECRUTADAS DIARIAMENTE
Organizações criminosas recrutam diariamente um exército de mulas. Milhares são contratados para transportar drogas do Brasil à Europa e à África. População carcerária de estrangeiros teve aumento de 138% - Alana Rizzo - CORREIO BRAZILIENSE, 01/08/2011 08:52
Maria de los Angeles está presa no DF: espanhola alega inocência e culpa o namorado
Com apenas 40 quilos e pouco mais de 1,60m, Maria de los Angeles, 19 anos, está longe do perfil que se imagina de uma traficante de drogas. Tem rosto de menina, cabelos loiros e finos. Os olhos, cor de mel, estão sempre voltados para baixo, e o corpo franzino permanece constantemente curvado. A espanhola nunca tinha saído de Jimena de La Frontera, um “pueblo” de 7 mil habitantes em Andaluzia. Tampouco tinha andado de avião. Mas, nos primeiros meses deste ano, Maria conheceu Madri, Lima e São Paulo. Hospedou-se em bons hotéis, comeu em restaurantes finos e gastou com presentes para a família e roupas para ela. “No Peru, comprei uma calça branca. Não imaginei que ela me seria útil aqui”, diz, lembrando a cor do uniforme das presas.
Da capital federal, ela só tem lembranças do Aeroporto Juscelino Kubitschek e da carceragem da Polícia Federal. Maria foi presa em 10 de maio, ao lado do namorado, que ela chama de marido. A moça nega a participação no crime que lhe imputam: tráfico internacional de drogas. Diz que o marido lhe pediu para carregar as malas, onde estavam as jaquetas recheadas com mais de cinco quilos de cocaína. “Ele sempre me prometeu uma vida boa, mas a viagem foi muito confusa. Ele estava nervoso e me deixava sempre sozinha no hotel. Mudava o roteiro e os horários do voo o tempo todo. Eu não sabia de nada.”
Maria de los Angeles ainda aguarda o julgamento. “Nos primeiros dias, você não imagina que o tempo demora tanto para passar na prisão. É um isolamento. Sinto saudades de tudo. Se for para ficar presa, quero ir para a Espanha.” Pesa sobre a jovem a confissão feita no dia em que foi presa. “Não queria que o meu marido ficasse preso de novo. Agora, quero contar a verdade.” O namorado de Maria está na Papuda.
Na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, a vida de Maria de los Angeles e a de Mami Eveline Gomes Nacassa, 33 anos, nascida em Guiné Bissau, cruzaram-se. Mais especificamente na cela oito, onde estão concentradas as estrangeiras presas por tráfico internacional de drogas. Mami foi detida no ano passado, com quase 6kg de cocaína escondidos em escovas de cabelo. Condenada, ela se arrepende. “Errei. Estou pagando por ter aceitado uma oferta de ganhar dinheiro rápido. Estava precisando, para pagar um tratamento de saúde para meu pai”, justifica-se.
Mami não revela quanto ganharia. Diz que aceitou porque a tarefa lhe parecia fácil. “Não era a primeira vez que viria ao Brasil. Já tinha feito três viagens a Fortaleza para comprar apliques de cabelo e roupas que revendia em meu país”, conta. O passaporte já estava carimbado quando a africana foi abordada pela PF. “Sei que vou ser expulsa quando terminar de cumprir a pena, mas, se tiver a chance, quero ficar no Brasil. Ia trabalhar e trazer minha filha de 16 anos para morar comigo. Meu país é muito pobre e prefiro viver aqui.”
Soldados
O recrutamento de mulas garante lucro certo para os narcotraficantes pelo baixo custo da operação, apesar do aumento das prisões nos aeroportos brasileiros. Os criminosos recrutam geralmente pessoas em situação vulnerável e que querem ganhar dinheiro fácil. A negociação é feita por alguém próximo à pessoa que se tornará mula. Pode demorar dias ou meses. A viagem é marcada em cima da hora e sem que a mula tenha muitos detalhes, o que dificulta a investigação da polícia. A quadrilha é responsável por providenciar toda a documentação, passagem, dinheiro, hospedagem e alimentação. No Brasil, a mula costuma ficar em hotéis no Centro de São Paulo, aguardando a mercadoria. Essa espera pode levar mais de 10 dias, tempo para o traficante conseguir a droga.
A estratégia das quadrilhas é enviar mais de uma mula no mesmo voo. Caso a polícia pare uma, as outras seguem com a mercadoria. A reportagem acompanhou de perto o trabalho da PF no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Em um mesmo dia, os agentes prenderam 22 pessoas. Elas estavam no mesmo voo e tentavam embarcar para Johanesburgo, na África do Sul. A cocaína pode ser ingerida em cápsulas ou escondida na bagagem e no corpo. A PF já encontrou a droga engomada em roupas e em malas revestidas da chamada “coca preta”. “A mula é a ponta. Temos que prender e desfalcar financeiramente os chefes das organizações criminosas”, destaca o delegado da PF em Guarulhos, Gilberto de Castro.
6 toneladas
Quantidade de cocaína apreendida pela PF desde 2007 apenas no Aeroporto de Guarulhos (SP). Mais de R$ 10 milhões foram confiscados nas operações durante o período. Em 2010, foram 362 presos no maior aeroporto brasileiro, sendo 53 brasileiros, 53 nigerianos e 46 angolanos, além de outras nacionalidades
Deportação
Pela legislação brasileira, os presos precisam cumprir pena no país. Em seguida, respondem a um processo de expulsão. A população carcerária de estrangeiros aumentou 138% nos últimos cinco anos, segundo o Ministério da Justiça. Em São Paulo, o governo destinou uma penitenciária somente para atender estrangeiros. São 1.763, sendo 235 bolivianos, 199 nigerianos, 124 peruanos, 111 sul-africanos, 11 angolanos e 99 espanhóis. Dados do Ministério da Justiça, obtidos pelo deputado federal Reguffe (PDT-DF), mostram que, no ano passado, 468 pessoas foram deportadas. Em 2009, foram 275 e em 2008, 323.
Maria de los Angeles está presa no DF: espanhola alega inocência e culpa o namorado
Com apenas 40 quilos e pouco mais de 1,60m, Maria de los Angeles, 19 anos, está longe do perfil que se imagina de uma traficante de drogas. Tem rosto de menina, cabelos loiros e finos. Os olhos, cor de mel, estão sempre voltados para baixo, e o corpo franzino permanece constantemente curvado. A espanhola nunca tinha saído de Jimena de La Frontera, um “pueblo” de 7 mil habitantes em Andaluzia. Tampouco tinha andado de avião. Mas, nos primeiros meses deste ano, Maria conheceu Madri, Lima e São Paulo. Hospedou-se em bons hotéis, comeu em restaurantes finos e gastou com presentes para a família e roupas para ela. “No Peru, comprei uma calça branca. Não imaginei que ela me seria útil aqui”, diz, lembrando a cor do uniforme das presas.
Da capital federal, ela só tem lembranças do Aeroporto Juscelino Kubitschek e da carceragem da Polícia Federal. Maria foi presa em 10 de maio, ao lado do namorado, que ela chama de marido. A moça nega a participação no crime que lhe imputam: tráfico internacional de drogas. Diz que o marido lhe pediu para carregar as malas, onde estavam as jaquetas recheadas com mais de cinco quilos de cocaína. “Ele sempre me prometeu uma vida boa, mas a viagem foi muito confusa. Ele estava nervoso e me deixava sempre sozinha no hotel. Mudava o roteiro e os horários do voo o tempo todo. Eu não sabia de nada.”
Maria de los Angeles ainda aguarda o julgamento. “Nos primeiros dias, você não imagina que o tempo demora tanto para passar na prisão. É um isolamento. Sinto saudades de tudo. Se for para ficar presa, quero ir para a Espanha.” Pesa sobre a jovem a confissão feita no dia em que foi presa. “Não queria que o meu marido ficasse preso de novo. Agora, quero contar a verdade.” O namorado de Maria está na Papuda.
Na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, a vida de Maria de los Angeles e a de Mami Eveline Gomes Nacassa, 33 anos, nascida em Guiné Bissau, cruzaram-se. Mais especificamente na cela oito, onde estão concentradas as estrangeiras presas por tráfico internacional de drogas. Mami foi detida no ano passado, com quase 6kg de cocaína escondidos em escovas de cabelo. Condenada, ela se arrepende. “Errei. Estou pagando por ter aceitado uma oferta de ganhar dinheiro rápido. Estava precisando, para pagar um tratamento de saúde para meu pai”, justifica-se.
Mami não revela quanto ganharia. Diz que aceitou porque a tarefa lhe parecia fácil. “Não era a primeira vez que viria ao Brasil. Já tinha feito três viagens a Fortaleza para comprar apliques de cabelo e roupas que revendia em meu país”, conta. O passaporte já estava carimbado quando a africana foi abordada pela PF. “Sei que vou ser expulsa quando terminar de cumprir a pena, mas, se tiver a chance, quero ficar no Brasil. Ia trabalhar e trazer minha filha de 16 anos para morar comigo. Meu país é muito pobre e prefiro viver aqui.”
Soldados
O recrutamento de mulas garante lucro certo para os narcotraficantes pelo baixo custo da operação, apesar do aumento das prisões nos aeroportos brasileiros. Os criminosos recrutam geralmente pessoas em situação vulnerável e que querem ganhar dinheiro fácil. A negociação é feita por alguém próximo à pessoa que se tornará mula. Pode demorar dias ou meses. A viagem é marcada em cima da hora e sem que a mula tenha muitos detalhes, o que dificulta a investigação da polícia. A quadrilha é responsável por providenciar toda a documentação, passagem, dinheiro, hospedagem e alimentação. No Brasil, a mula costuma ficar em hotéis no Centro de São Paulo, aguardando a mercadoria. Essa espera pode levar mais de 10 dias, tempo para o traficante conseguir a droga.
A estratégia das quadrilhas é enviar mais de uma mula no mesmo voo. Caso a polícia pare uma, as outras seguem com a mercadoria. A reportagem acompanhou de perto o trabalho da PF no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Em um mesmo dia, os agentes prenderam 22 pessoas. Elas estavam no mesmo voo e tentavam embarcar para Johanesburgo, na África do Sul. A cocaína pode ser ingerida em cápsulas ou escondida na bagagem e no corpo. A PF já encontrou a droga engomada em roupas e em malas revestidas da chamada “coca preta”. “A mula é a ponta. Temos que prender e desfalcar financeiramente os chefes das organizações criminosas”, destaca o delegado da PF em Guarulhos, Gilberto de Castro.
6 toneladas
Quantidade de cocaína apreendida pela PF desde 2007 apenas no Aeroporto de Guarulhos (SP). Mais de R$ 10 milhões foram confiscados nas operações durante o período. Em 2010, foram 362 presos no maior aeroporto brasileiro, sendo 53 brasileiros, 53 nigerianos e 46 angolanos, além de outras nacionalidades
Deportação
Pela legislação brasileira, os presos precisam cumprir pena no país. Em seguida, respondem a um processo de expulsão. A população carcerária de estrangeiros aumentou 138% nos últimos cinco anos, segundo o Ministério da Justiça. Em São Paulo, o governo destinou uma penitenciária somente para atender estrangeiros. São 1.763, sendo 235 bolivianos, 199 nigerianos, 124 peruanos, 111 sul-africanos, 11 angolanos e 99 espanhóis. Dados do Ministério da Justiça, obtidos pelo deputado federal Reguffe (PDT-DF), mostram que, no ano passado, 468 pessoas foram deportadas. Em 2009, foram 275 e em 2008, 323.
MÁFIA ITALIANA - AÇÕES SOFISTICADAS E ESPAÇO NAS FRONTEIRAS ABERTAS DO BRASIL
De Nápoles. Máfia italiana sofistica ações e ganha terreno no Brasil - O GLOBO, 31/07/2011 às 09h23m - José Casado
RIO - O italiano Francesco Salzano, de 38 anos, deverá ser extraditado para seu país nas próximas semanas. Está preso em Fortaleza, desde fevereiro, a pedido da Justiça de Nápoles, que o identifica como integrante do "clã dos Casalenses" e autor de um triplo homicídio "com premeditação": na tarde de uma sexta-feira, 8 de maio de 2009, matou Giovanni Battista Pappa, Modestino Minutolo e Francesco Buonanno. Foi um acerto de contas dentro da Camorra napolitana, na região de Caserta, sul da Itália.
Salzano é um "capo" (chefe) dessa máfia napolitana, cuja história se confunde com a biografia de Antonio Bardellino, líder-fundador da confederação de quadrilhas conhecida como Camorra. Bardellino submeteu os adversários a uma autêntica guerra, a partir do final dos anos 70, deixando um rastro de três mil mortes nas ruas das províncias de Nápoles e Caserta, segundo o governo italiano.
Bardellino fez história ao unir e consolidar o comando das quadrilhas camorristas, mantendo estilo de chefão à moda antiga, como modelado por Marlon Brando no clássico filme "O Poderoso Chefão", de Francis Ford Coppola. Ele foi pioneiro na abertura de rotas de tráfico de cocaína da América do Sul para os Estados Unidos, financiado pela família Gambino, de Nova York.
No início dos anos 80, instalou no Brasil a base de seus negócios com fornecedores colombianos de cocaína. E viveu entre as praias do Rio e de Búzios até a manhã de uma quinta-feira, 26 de maio de 1988, quando desapareceu - teria sido assassinado por seu "conselheiro", Mario Iovine, em um novo capítulo da disputa pelo comando da Camorra.
O problema é que o corpo de Bardellino nunca foi encontrado. Seu "conselheiro" foi fuzilado três anos depois em uma cabine telefônica de Cascais, Portugal. E seu amigo Tommaso Buscetta disse à Comissão Antimáfia do parlamento italiano não acreditar que ele está morto. Buscetta foi preso em São Paulo em 1983. Extraditado para a Itália e, mais tarde, para os Estados Unidos, delatou toda a cúpula da Cosa Nostra e centenas de políticos italianos. Morreu em 2000, aparentemente de causas naturais.
Bardellino tornou-se uma lenda mafiosa na América do Sul e figura na lista dos "mais procurados" da Interpol. Os negócios que criou no Brasil crescem, como demonstram os inquéritos judiciais que levaram à prisão de Francesco Salzano, em Fortaleza, e de mais 64 pessoas envolvidas com a Camorra, entre elas uma brasileira, em cidades da Espanha na última quarta-feira.
O grupo desmontado pela polícia espanhola operava uma rede de 25 empresas com correspondentes em 16 países, incluindo o Brasil. Especializara-se na lavagem de dinheiro, via falsificação de máquinas e ferramentas para indústrias. Financiava a produção clandestina na China e vendia as réplicas chinesas como se fossem produtos autênticos, de reconhecidos fabricantes ocidentais, para indústrias de Brasil, Espanha, Suíça e EUA, entre outros países.
O avanço das máfias italianas na América do Sul e, em especial, no Brasil, é reflexo da flexibilidade de seu caráter empresarial. Elas se anteciparam aos processos de globalização e das finanças, constata Francesco Forgione, deputado da Renovação Comunista, da Calábria e ex-presidente da Comissão Parlamentar Antimáfia (2006 a 2008). Ele é autor do livro "Máfia Export", que está sendo lançado no Brasil.
Um caso emblemático é o do operador financeiro Claudio Boscaro, de 48 anos, suíço.
Desde sua prisão em Palma de Maiorca (Espanha), em 2002, ele fornece à polícia financeira italiana detalhes de uma sofisticada engrenagem no eixo Brasil-Suíça para lavar o dinheiro obtido pelas máfias italianas no tráfico de cocaína produzida na Colômbia, Peru e Bolívia para o mercado europeu, via África. Um dos condimentos das operações na rota africana de tráfico para a Europa - via portos brasileiros, como os do Rio e de Fortaleza -, é o contrabando de armas para bandos africanos e sul-americanos, como as Farc, principal grupo narcoguerrilheiro colombiano.
Conhecido como "Occhialino" (oculozinho, por causa do tamanho dos óculos que sempre usou), Boscaro atuou como operador financeiro de um dos ramos da máfia mais ativos na América do Sul. Seus negócios fizeram parecer ancestrais as "exportações" de farinha de peixe conduzidas pelo "capo" Bardellino a partir da Brasfish, instalada em Búzios desde os anos 80.
Como predominam duas moedas no negócio sul-americano de cocaína - dólares e pedras preciosas -, Boscaro montou uma rede de empresas financeiras em Lugano (Suíça) para operações diretas com bancos de Genebra. E estabeleceu conexões com lapidadores de Antuérpia (Bélgica) para revenda de diamantes brasileiros e esmeraldas colombianas recebidos no tráfico de cocaína.
- Eles estão cada dia mais sofisticados e estão, a cada ano, investindo mais no Brasil - diz Walter Maierovich, juiz aposentado que criou o Instituto Giovanni Falcone, uma das organizações antimáfia mais atuantes da América do Sul.
Falsificações aprimoradas
O desmonte da rede de falsificação de máquinas e ferramentas industriais a partir da China , na última quarta-feira, é a mais recente confirmação do caráter global e refinado das operações mafiosas e da referência do Brasil como núcleo relevante de negócios. Na prática, é uma reedição da holding Alleanza di Secondigliano S.A., que a Camorra manteve na década passada, até ser descoberta pela polícia de Nápoles. A Alleanza ocultava empresas dedicadas ao comércio de produtos falsificados, de eletrodomésticos a roupas.
A diferença entre o negócio anterior e o atual está no aprimoramento dos produtos e da engenharia de lavagem de dinheiro. As falsificações dos anos 2000 eram facilmente identificáveis, conta Francesco Forgione: um aspirador da marca italiana "Folleto" saía da fábrica clandestina com um "l" a menos, e nas máquinas fotográficas "Canon" sempre faltava um "n".
Mudou bastante. Nos armazéns espanhóis abarrotados de ferramentas apreendidas esta semana é quase impossível a distinção entre o original americano ou europeu da cópia chinesa vendida a empresas do Brasil, entre outras.
Brasileira é presa na Espanha por participar de quadrilha que distribui produtos falsificados da China. 27/07/2011 às 11h14m; O Globo
RIO - Uma brasileira foi presa nesta quarta-feira, na Espanha, acusada de participar de grande quadrilha que revendia produtos falsificados fabricados na China. Segundoa Guarda Civil da Espanha, no total foram detidos 64 pessoas na operação Leatherface. A quadrilha é ligada à máfia italiana de Camorra. Ela adquiria grandes quantidades de produtos falsificados de 25 empresas da China (roupas, ferramentas e até máquinas), que entravam na Espanha pelos portos de Sevilha, Málaga e Valência. Dessas cidades, os produtos eram distribuídos para 14 países na Europa, África e américas, incluindo o Brasil.
Os presos são acusados de lavagem de dinheiro, crime contra a propriedade intelectual e formação de quadrilha. Todos serão julgados na Espanha. A polícia espanhola não divulgou o nome dos detidos. Outas prisões ainda podem ser feitas, pois mais 60 pessoas são investigadas.
A máfia Camorra é chefiada por um clã familiar da cidade italiana de Nápoles e liderado na Espanha por Giulano R. e o contador Vittorio P, que também foram detidos. O Departamento de Crimes Econômicos da Polícia da Espanha e a Europol investigam o grupo desde o início de 2010.
A rede se dividia em dezenas de áreas de venda nos países onde atuava. Ela contratava várias pessoas, ques distribuíam os produtos falsificados por um preço muito mais baixo que os do mercado. Mais de 20 empresas participavam da rede que permitia lavar dinheiro por meio da transmissão de fundos entre elas.
A polícia também apreendeu mercadorias e documentos em dezenas de endereços em Málaga, Madri, Barcelona, Valência e Sevilha.
RIO - O italiano Francesco Salzano, de 38 anos, deverá ser extraditado para seu país nas próximas semanas. Está preso em Fortaleza, desde fevereiro, a pedido da Justiça de Nápoles, que o identifica como integrante do "clã dos Casalenses" e autor de um triplo homicídio "com premeditação": na tarde de uma sexta-feira, 8 de maio de 2009, matou Giovanni Battista Pappa, Modestino Minutolo e Francesco Buonanno. Foi um acerto de contas dentro da Camorra napolitana, na região de Caserta, sul da Itália.
Salzano é um "capo" (chefe) dessa máfia napolitana, cuja história se confunde com a biografia de Antonio Bardellino, líder-fundador da confederação de quadrilhas conhecida como Camorra. Bardellino submeteu os adversários a uma autêntica guerra, a partir do final dos anos 70, deixando um rastro de três mil mortes nas ruas das províncias de Nápoles e Caserta, segundo o governo italiano.
Bardellino fez história ao unir e consolidar o comando das quadrilhas camorristas, mantendo estilo de chefão à moda antiga, como modelado por Marlon Brando no clássico filme "O Poderoso Chefão", de Francis Ford Coppola. Ele foi pioneiro na abertura de rotas de tráfico de cocaína da América do Sul para os Estados Unidos, financiado pela família Gambino, de Nova York.
No início dos anos 80, instalou no Brasil a base de seus negócios com fornecedores colombianos de cocaína. E viveu entre as praias do Rio e de Búzios até a manhã de uma quinta-feira, 26 de maio de 1988, quando desapareceu - teria sido assassinado por seu "conselheiro", Mario Iovine, em um novo capítulo da disputa pelo comando da Camorra.
O problema é que o corpo de Bardellino nunca foi encontrado. Seu "conselheiro" foi fuzilado três anos depois em uma cabine telefônica de Cascais, Portugal. E seu amigo Tommaso Buscetta disse à Comissão Antimáfia do parlamento italiano não acreditar que ele está morto. Buscetta foi preso em São Paulo em 1983. Extraditado para a Itália e, mais tarde, para os Estados Unidos, delatou toda a cúpula da Cosa Nostra e centenas de políticos italianos. Morreu em 2000, aparentemente de causas naturais.
Bardellino tornou-se uma lenda mafiosa na América do Sul e figura na lista dos "mais procurados" da Interpol. Os negócios que criou no Brasil crescem, como demonstram os inquéritos judiciais que levaram à prisão de Francesco Salzano, em Fortaleza, e de mais 64 pessoas envolvidas com a Camorra, entre elas uma brasileira, em cidades da Espanha na última quarta-feira.
O grupo desmontado pela polícia espanhola operava uma rede de 25 empresas com correspondentes em 16 países, incluindo o Brasil. Especializara-se na lavagem de dinheiro, via falsificação de máquinas e ferramentas para indústrias. Financiava a produção clandestina na China e vendia as réplicas chinesas como se fossem produtos autênticos, de reconhecidos fabricantes ocidentais, para indústrias de Brasil, Espanha, Suíça e EUA, entre outros países.
O avanço das máfias italianas na América do Sul e, em especial, no Brasil, é reflexo da flexibilidade de seu caráter empresarial. Elas se anteciparam aos processos de globalização e das finanças, constata Francesco Forgione, deputado da Renovação Comunista, da Calábria e ex-presidente da Comissão Parlamentar Antimáfia (2006 a 2008). Ele é autor do livro "Máfia Export", que está sendo lançado no Brasil.
Um caso emblemático é o do operador financeiro Claudio Boscaro, de 48 anos, suíço.
Desde sua prisão em Palma de Maiorca (Espanha), em 2002, ele fornece à polícia financeira italiana detalhes de uma sofisticada engrenagem no eixo Brasil-Suíça para lavar o dinheiro obtido pelas máfias italianas no tráfico de cocaína produzida na Colômbia, Peru e Bolívia para o mercado europeu, via África. Um dos condimentos das operações na rota africana de tráfico para a Europa - via portos brasileiros, como os do Rio e de Fortaleza -, é o contrabando de armas para bandos africanos e sul-americanos, como as Farc, principal grupo narcoguerrilheiro colombiano.
Conhecido como "Occhialino" (oculozinho, por causa do tamanho dos óculos que sempre usou), Boscaro atuou como operador financeiro de um dos ramos da máfia mais ativos na América do Sul. Seus negócios fizeram parecer ancestrais as "exportações" de farinha de peixe conduzidas pelo "capo" Bardellino a partir da Brasfish, instalada em Búzios desde os anos 80.
Como predominam duas moedas no negócio sul-americano de cocaína - dólares e pedras preciosas -, Boscaro montou uma rede de empresas financeiras em Lugano (Suíça) para operações diretas com bancos de Genebra. E estabeleceu conexões com lapidadores de Antuérpia (Bélgica) para revenda de diamantes brasileiros e esmeraldas colombianas recebidos no tráfico de cocaína.
- Eles estão cada dia mais sofisticados e estão, a cada ano, investindo mais no Brasil - diz Walter Maierovich, juiz aposentado que criou o Instituto Giovanni Falcone, uma das organizações antimáfia mais atuantes da América do Sul.
Falsificações aprimoradas
O desmonte da rede de falsificação de máquinas e ferramentas industriais a partir da China , na última quarta-feira, é a mais recente confirmação do caráter global e refinado das operações mafiosas e da referência do Brasil como núcleo relevante de negócios. Na prática, é uma reedição da holding Alleanza di Secondigliano S.A., que a Camorra manteve na década passada, até ser descoberta pela polícia de Nápoles. A Alleanza ocultava empresas dedicadas ao comércio de produtos falsificados, de eletrodomésticos a roupas.
A diferença entre o negócio anterior e o atual está no aprimoramento dos produtos e da engenharia de lavagem de dinheiro. As falsificações dos anos 2000 eram facilmente identificáveis, conta Francesco Forgione: um aspirador da marca italiana "Folleto" saía da fábrica clandestina com um "l" a menos, e nas máquinas fotográficas "Canon" sempre faltava um "n".
Mudou bastante. Nos armazéns espanhóis abarrotados de ferramentas apreendidas esta semana é quase impossível a distinção entre o original americano ou europeu da cópia chinesa vendida a empresas do Brasil, entre outras.
Brasileira é presa na Espanha por participar de quadrilha que distribui produtos falsificados da China. 27/07/2011 às 11h14m; O Globo
RIO - Uma brasileira foi presa nesta quarta-feira, na Espanha, acusada de participar de grande quadrilha que revendia produtos falsificados fabricados na China. Segundoa Guarda Civil da Espanha, no total foram detidos 64 pessoas na operação Leatherface. A quadrilha é ligada à máfia italiana de Camorra. Ela adquiria grandes quantidades de produtos falsificados de 25 empresas da China (roupas, ferramentas e até máquinas), que entravam na Espanha pelos portos de Sevilha, Málaga e Valência. Dessas cidades, os produtos eram distribuídos para 14 países na Europa, África e américas, incluindo o Brasil.
Os presos são acusados de lavagem de dinheiro, crime contra a propriedade intelectual e formação de quadrilha. Todos serão julgados na Espanha. A polícia espanhola não divulgou o nome dos detidos. Outas prisões ainda podem ser feitas, pois mais 60 pessoas são investigadas.
A máfia Camorra é chefiada por um clã familiar da cidade italiana de Nápoles e liderado na Espanha por Giulano R. e o contador Vittorio P, que também foram detidos. O Departamento de Crimes Econômicos da Polícia da Espanha e a Europol investigam o grupo desde o início de 2010.
A rede se dividia em dezenas de áreas de venda nos países onde atuava. Ela contratava várias pessoas, ques distribuíam os produtos falsificados por um preço muito mais baixo que os do mercado. Mais de 20 empresas participavam da rede que permitia lavar dinheiro por meio da transmissão de fundos entre elas.
A polícia também apreendeu mercadorias e documentos em dezenas de endereços em Málaga, Madri, Barcelona, Valência e Sevilha.
domingo, 31 de julho de 2011
CRIMES SEM FRONTEIRAS
A história da prisão do traficante de Santa Catarina que desafiava o Paraguai. O DC conta como o criminoso se tornou chefe de gangue e assaltante de banco no país vizinho. Diogo Vargas - DIÁRIO CATARINENSE, 30/07/2011 | 19h50min
Clóvis Cândido, o Cabelo, 29 anos, é o mais recente bandido de Santa Catarina a ser capturado no Paraguai. O ex-morador de Florianópolis tem 14 anos de prisão a cumprir no Estado. Rumou para o país vizinho para comandar o tráfico de drogas, armas e também um milionário assalto a banco.
No noticiário policial catarinense, as suas aparições são raras e sem destaque. Nada comparado ao histórico de envolvimentos em crimes em terras paraguaias, onde passou a figurar em primeiras páginas. Isso porque as autoridades daquele país afirmam que, no território hermano, ele seria o cérebro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), que age de dentro e fora das prisões de São Paulo.
A história de Cabelo revela a fragilidade das autoridades brasileiras em prender foragidos da Justiça, a ineficiência da fiscalização das fronteiras, a conexão entre o conhecido mundo do crime instalado no Paraguai e bandoleiros brasileiros. É de lá que chega a grande maioria da droga consumida em Santa Catarina, depois de passar pelo corredor dos entorpecentes, pelo Mato Grosso do Sul (Ponta Porã) e Paraná.
Na capital catarinense, em 2005, o paranaense Clóvis se envolveu com o tráfico de drogas no Bairro Rio Vermelho, Norte da Ilha. Agia também na Favela do Siri, nos Ingleses, com familiares vindos de Coronel Vivida (PR). Destemido, arrumava confusões, não se separava de armas e tentava impor medo aos moradores. Preso, cumpriu um ano e 10 meses de cadeia e voltou para as ruas, até ser preso definitivamente, em junho deste ano, no Paraguai.
No dia 12 de outubro de 2006, três dias após ganhar a liberdade condicional, Cabelo armou uma tocaia para matar Paulo Júnior Ferreira, o Rambinho, devedor de drogas de uma boca que Cabelo e seus familiares controlavam na Favela do Siri. Rambinho foi atraído para um suposto chamado num telefone público da rua. Quando apareceu, foi baleado. Mesmo ferido, conseguiu escapar dos traficantes e sobreviver.
Clóvis foi identificado pela polícia como um dos responsáveis pela tentativa de homicídio. No ano passado, foi condenado a 11 anos e quatro meses de prisão pelo crime. Há um mandado de prisão decretado contra ele pelo juiz Luiz Cesar Schweitzer, da Vara do Tribunal do Júri da Capital. A outra condenação é por tráfico: três anos de prisão. A ascensão no comando do tráfico do Norte da Ilha o fez ser caçado pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic).
Buscas sem sucesso na Capital, em 2007
Em 2007, numa das ruas do Bairro Rio Vermelho, um suposto “mula” (transportador de drogas) seu foi preso e a polícia apreendeu maconha. A Deic o indiciou por tráfico. Moradores da Rua das Orquídeas, lembram quando, há dois anos, equipes da Deic chegaram fortemente armadas cumprindo mandados de busca e apreensão em casas na tentativa de prendê-lo, mas sem sucesso.
Com o cerco se fechando, Cabelo partiu para o Paraguai. Montou sua base na cidade de Salto del Guairá, que faz fronteira com a brasileira Guaíra (PR) e é conhecida pelo centro de compras. Entrou com identidade falsa do Paraná usando o nome de Adrian Alex. Lá, a sua primeira missão foi comprar por R$ 5 mil uma identidade paraguaia com dados falsos brasileiros. Essa prática é comum por criminosos brasileiros fugitivos da Justiça e permitiu que ele fosse liberado no Mato Grosso do Sul, em sua primeira prisão no Paraguai, em 2010.
O jornal ABC Color, do Paraguai, estima que Cabelo chegou ao Paraguai em 2005 como traficante de favela. Nas fotografias publicadas em jornais e sites paraguaios, ele quase sempre está rindo ou com ar de deboche. Foi assim após ser detido por efetuar disparos de fuzil na rua e depois do assalto milionário ao Banco Continental de Salto del Guairá, em 10 de maio deste ano. O seu bando era composto por 16 ladrões. Eles renderam 18 pessoas e roubaram cerca de R$ 2 milhões. Na fuga, queimaram caminhonetes usadas no roubo para não deixar pistas. A quadrilha foi presa. Cabelo estava em Ciudad del Este, na tríplice fronteira com Paraguai, Brasil e a Argentina. Ele segue preso no Paraguai e não há informações sobre se será extraditado para o Brasil.
A possível conexão com o PCC, de São Paulo
O diretor da Deic, delegado Cláudio Monteiro, não acredita que Clóvis Candido seja ou exerça influência na facção criminosa de São Paulo. O policial diz que essa associação de bandidos brasileiros com o PCC costuma ser feita pela imprensa paraguaia para acelerar a extradição dos bandidos brasileiros presos no Paraguai.
Os jornalistas estrangeiros afirmam que o PCC se instalou no Paraguai com a atuação de Cabelo. Seria um soldado do grupo para cuidar do tráfico e abastecer o mercado brasileiro. Cabelo teria arrumado brigas no país e suas liberdades teriam custado caro ao comando. Para saldar dívidas, a imprensa paraguaia suspeita que planejou o assalto milionário ao banco.
O delegado Monteiro comandou investigações em SC contra o criminoso pelo tráfico de maconha, crack, cocaína e armas. Segundo ele, Cabelo era um dos principais traficantes do Norte da Ilha e no Paraguai atuava como distribuidor de drogas para o Estado.
— Temos informações que ele fazia essa conexão de drogas e armas para cá e que ainda há familiares seus envolvidos com o crime na região do Norte da Ilha — disse o delegado.
O DC esteve na Favela do Siri e no Bairro Rio Vermelho. Na Rua das Orquídeas, o número informado por Cabelo à Justiça como o seu endereço não existe. Vizinhos disseram que o número dado por ele é fictício e que sua base seria mesmo na Rua das Acácias, onde funcionariam bocas de fumo. Na Favela do Siri, os supostos familiares de Clóvis Cândido negaram que o conhecem.
Uma história que se repete
A migração de bandidos de SC para o Paraguai é antiga. Há que se considerar corrupção policial, falta de controle, facilidade de lavar dinheiro e obter documentos falsos no país vizinho como razões para isso. Mas o principal, na avaliação de policiais catarinenses, ainda é o “negócio” do crime que está lá.
É o negócio da droga, uma espécie de economia paralela do país. Trata-se de uma tradição de séculos no Paraguai. Começou com índios guaranis, considerados os primeiros cultivadores da erva. Hoje, há safras e safrinhas da maconha, cultivada aos montes e em qualquer época do ano. Estima-se que o Paraguai produza entre 3 mil a 5 mil hectares de maconha ao ano. Isso rende algo entre 9 e 15 milhões de quilos de maconha anualmente.
As autoridades paraguaias estimam que 90% da produção tem como destino o Brasil. A Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) do Paraguai destruiu, ano passado, 1.013 hectares da droga – daria entre 3 mil a 5 mil toneladas. O Paraguai ainda recebe cocaína e crack da Bolívia antes do envio ao mercado consumidor do Brasil. Em 2010, a Senad destruiu 50 mil quilos de coca boliviana.
Falta de controle aéreo e terrestre atrapalha
Um dos motivos para essa atividade ilícita intensa é a falta de controle aéreo e terrestre e os aeroportos clandestinos. As cidades fronteiriças também servem de esconderijos para os criminosos. Ali acabam se criando os narcotraficantes brasileiros como Clóvis Cândido. Como conhecem o mercado consumidor daqui e mantêm as redes de contatos nos dois países, rapidamente tornam-se fortes distribuidores.
Nos últimos anos, pelo menos quatro barões da droga que atuavam em Santa Catarina foram presos no Paraguai. O mais conhecido deles é Sérgio de Souza, o Neném da Costeira, de Florianópolis. Preso em Encarnacion, em 2008, foi trazido para SC e em junho deste ano transferido para Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, por medida de segurança. Também estão na lista de presos os traficantes Jarvis Chimenes Pavão, Erineu Domingo Soligo, o Pingo (do Rio Grande do Sul) e Júlio César Wiese. A extradição de Pavão para SC ainda não aconteceu. Ele tem condenação no Estado de 12 anos e dois meses de prisão por associação ao tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Fotos para evitar falsificações
A Justiça está tentando avançar nos modelos de mandados de prisão para evitar que bandidos se utilizem de documentos falsos para escapar da captura. A intenção é inserir fotos, tatuagens e outras informações nas ordens de prisão para identificar a pessoa na hora da abordagem. Hoje, o documento traz apenas os dados pessoais, como nome, endereço e telefone.
Na opinião do juiz da Coordenadoria de Execuções Penais e da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça de SC, Alexandre Takaschima, essa nova ferramenta será importante para vencer o problema da documentação na hora das abordagens dos suspeitos.
– Por orientação do Conselho Nacional de Justiça (CJN) estamos tentando padronizar de forma eletrônica essas informações com as polícias. Como não temos jurisdição para atuar lá (Paraguai), dependemos do trabalho em equipe. É difícil, mas temos a cooperação e está se tornando mais comum – sintetiza o juiz, acreditando que os processos de extradição serão cada vez mais rotineiros e menos burocráticos.
Clóvis Cândido, o Cabelo, 29 anos, é o mais recente bandido de Santa Catarina a ser capturado no Paraguai. O ex-morador de Florianópolis tem 14 anos de prisão a cumprir no Estado. Rumou para o país vizinho para comandar o tráfico de drogas, armas e também um milionário assalto a banco.
No noticiário policial catarinense, as suas aparições são raras e sem destaque. Nada comparado ao histórico de envolvimentos em crimes em terras paraguaias, onde passou a figurar em primeiras páginas. Isso porque as autoridades daquele país afirmam que, no território hermano, ele seria o cérebro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), que age de dentro e fora das prisões de São Paulo.
A história de Cabelo revela a fragilidade das autoridades brasileiras em prender foragidos da Justiça, a ineficiência da fiscalização das fronteiras, a conexão entre o conhecido mundo do crime instalado no Paraguai e bandoleiros brasileiros. É de lá que chega a grande maioria da droga consumida em Santa Catarina, depois de passar pelo corredor dos entorpecentes, pelo Mato Grosso do Sul (Ponta Porã) e Paraná.
Na capital catarinense, em 2005, o paranaense Clóvis se envolveu com o tráfico de drogas no Bairro Rio Vermelho, Norte da Ilha. Agia também na Favela do Siri, nos Ingleses, com familiares vindos de Coronel Vivida (PR). Destemido, arrumava confusões, não se separava de armas e tentava impor medo aos moradores. Preso, cumpriu um ano e 10 meses de cadeia e voltou para as ruas, até ser preso definitivamente, em junho deste ano, no Paraguai.
No dia 12 de outubro de 2006, três dias após ganhar a liberdade condicional, Cabelo armou uma tocaia para matar Paulo Júnior Ferreira, o Rambinho, devedor de drogas de uma boca que Cabelo e seus familiares controlavam na Favela do Siri. Rambinho foi atraído para um suposto chamado num telefone público da rua. Quando apareceu, foi baleado. Mesmo ferido, conseguiu escapar dos traficantes e sobreviver.
Clóvis foi identificado pela polícia como um dos responsáveis pela tentativa de homicídio. No ano passado, foi condenado a 11 anos e quatro meses de prisão pelo crime. Há um mandado de prisão decretado contra ele pelo juiz Luiz Cesar Schweitzer, da Vara do Tribunal do Júri da Capital. A outra condenação é por tráfico: três anos de prisão. A ascensão no comando do tráfico do Norte da Ilha o fez ser caçado pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic).
Buscas sem sucesso na Capital, em 2007
Em 2007, numa das ruas do Bairro Rio Vermelho, um suposto “mula” (transportador de drogas) seu foi preso e a polícia apreendeu maconha. A Deic o indiciou por tráfico. Moradores da Rua das Orquídeas, lembram quando, há dois anos, equipes da Deic chegaram fortemente armadas cumprindo mandados de busca e apreensão em casas na tentativa de prendê-lo, mas sem sucesso.
Com o cerco se fechando, Cabelo partiu para o Paraguai. Montou sua base na cidade de Salto del Guairá, que faz fronteira com a brasileira Guaíra (PR) e é conhecida pelo centro de compras. Entrou com identidade falsa do Paraná usando o nome de Adrian Alex. Lá, a sua primeira missão foi comprar por R$ 5 mil uma identidade paraguaia com dados falsos brasileiros. Essa prática é comum por criminosos brasileiros fugitivos da Justiça e permitiu que ele fosse liberado no Mato Grosso do Sul, em sua primeira prisão no Paraguai, em 2010.
O jornal ABC Color, do Paraguai, estima que Cabelo chegou ao Paraguai em 2005 como traficante de favela. Nas fotografias publicadas em jornais e sites paraguaios, ele quase sempre está rindo ou com ar de deboche. Foi assim após ser detido por efetuar disparos de fuzil na rua e depois do assalto milionário ao Banco Continental de Salto del Guairá, em 10 de maio deste ano. O seu bando era composto por 16 ladrões. Eles renderam 18 pessoas e roubaram cerca de R$ 2 milhões. Na fuga, queimaram caminhonetes usadas no roubo para não deixar pistas. A quadrilha foi presa. Cabelo estava em Ciudad del Este, na tríplice fronteira com Paraguai, Brasil e a Argentina. Ele segue preso no Paraguai e não há informações sobre se será extraditado para o Brasil.
A possível conexão com o PCC, de São Paulo
O diretor da Deic, delegado Cláudio Monteiro, não acredita que Clóvis Candido seja ou exerça influência na facção criminosa de São Paulo. O policial diz que essa associação de bandidos brasileiros com o PCC costuma ser feita pela imprensa paraguaia para acelerar a extradição dos bandidos brasileiros presos no Paraguai.
Os jornalistas estrangeiros afirmam que o PCC se instalou no Paraguai com a atuação de Cabelo. Seria um soldado do grupo para cuidar do tráfico e abastecer o mercado brasileiro. Cabelo teria arrumado brigas no país e suas liberdades teriam custado caro ao comando. Para saldar dívidas, a imprensa paraguaia suspeita que planejou o assalto milionário ao banco.
O delegado Monteiro comandou investigações em SC contra o criminoso pelo tráfico de maconha, crack, cocaína e armas. Segundo ele, Cabelo era um dos principais traficantes do Norte da Ilha e no Paraguai atuava como distribuidor de drogas para o Estado.
— Temos informações que ele fazia essa conexão de drogas e armas para cá e que ainda há familiares seus envolvidos com o crime na região do Norte da Ilha — disse o delegado.
O DC esteve na Favela do Siri e no Bairro Rio Vermelho. Na Rua das Orquídeas, o número informado por Cabelo à Justiça como o seu endereço não existe. Vizinhos disseram que o número dado por ele é fictício e que sua base seria mesmo na Rua das Acácias, onde funcionariam bocas de fumo. Na Favela do Siri, os supostos familiares de Clóvis Cândido negaram que o conhecem.
Uma história que se repete
A migração de bandidos de SC para o Paraguai é antiga. Há que se considerar corrupção policial, falta de controle, facilidade de lavar dinheiro e obter documentos falsos no país vizinho como razões para isso. Mas o principal, na avaliação de policiais catarinenses, ainda é o “negócio” do crime que está lá.
É o negócio da droga, uma espécie de economia paralela do país. Trata-se de uma tradição de séculos no Paraguai. Começou com índios guaranis, considerados os primeiros cultivadores da erva. Hoje, há safras e safrinhas da maconha, cultivada aos montes e em qualquer época do ano. Estima-se que o Paraguai produza entre 3 mil a 5 mil hectares de maconha ao ano. Isso rende algo entre 9 e 15 milhões de quilos de maconha anualmente.
As autoridades paraguaias estimam que 90% da produção tem como destino o Brasil. A Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) do Paraguai destruiu, ano passado, 1.013 hectares da droga – daria entre 3 mil a 5 mil toneladas. O Paraguai ainda recebe cocaína e crack da Bolívia antes do envio ao mercado consumidor do Brasil. Em 2010, a Senad destruiu 50 mil quilos de coca boliviana.
Falta de controle aéreo e terrestre atrapalha
Um dos motivos para essa atividade ilícita intensa é a falta de controle aéreo e terrestre e os aeroportos clandestinos. As cidades fronteiriças também servem de esconderijos para os criminosos. Ali acabam se criando os narcotraficantes brasileiros como Clóvis Cândido. Como conhecem o mercado consumidor daqui e mantêm as redes de contatos nos dois países, rapidamente tornam-se fortes distribuidores.
Nos últimos anos, pelo menos quatro barões da droga que atuavam em Santa Catarina foram presos no Paraguai. O mais conhecido deles é Sérgio de Souza, o Neném da Costeira, de Florianópolis. Preso em Encarnacion, em 2008, foi trazido para SC e em junho deste ano transferido para Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, por medida de segurança. Também estão na lista de presos os traficantes Jarvis Chimenes Pavão, Erineu Domingo Soligo, o Pingo (do Rio Grande do Sul) e Júlio César Wiese. A extradição de Pavão para SC ainda não aconteceu. Ele tem condenação no Estado de 12 anos e dois meses de prisão por associação ao tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Fotos para evitar falsificações
A Justiça está tentando avançar nos modelos de mandados de prisão para evitar que bandidos se utilizem de documentos falsos para escapar da captura. A intenção é inserir fotos, tatuagens e outras informações nas ordens de prisão para identificar a pessoa na hora da abordagem. Hoje, o documento traz apenas os dados pessoais, como nome, endereço e telefone.
Na opinião do juiz da Coordenadoria de Execuções Penais e da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça de SC, Alexandre Takaschima, essa nova ferramenta será importante para vencer o problema da documentação na hora das abordagens dos suspeitos.
– Por orientação do Conselho Nacional de Justiça (CJN) estamos tentando padronizar de forma eletrônica essas informações com as polícias. Como não temos jurisdição para atuar lá (Paraguai), dependemos do trabalho em equipe. É difícil, mas temos a cooperação e está se tornando mais comum – sintetiza o juiz, acreditando que os processos de extradição serão cada vez mais rotineiros e menos burocráticos.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
BRIGADA MILITAR PROMOVE CURSO DE PATRULHAMENTO DE FRONTEIRAS
PORTAL DA BRIGADA MILITAR - www.brigadamilitar.rs.gov.br - 29/07/2011
A Brigada Militar, integrante do Sistema de Segurança Pública no esforço internacional de preservação da ordem pública, integrada com as instituições de segurança do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e Paraná, bem como com as organizações policiais da Argentina e do Uruguai, busca também o aprimoramento dos serviços prestados às comunidades de área de Fronteira.
Destarte, a ação proativa das referidas instituições repercute na realidade de segurança pública nos grandes centros e interior de todos os territórios.
Para atender esta demanda de qualificação e intercâmbio o Curso de Patrulhamento de Fronteiras tem por objeto desenvolver um padrão de procedimentos comum para a atuação integrada das instituições atuantes em áreas de fronteira, com vistas à consolidação do Sistema Internacional Regional de Segurança Pública.
Este esforço conjunto, relizado no Centro de Treinamento de Patrulhamento Rural, da Brigada Militar visa proporcionar o bem estar social às comunidades fronteiriças das nações amigas.
O Curso torna aptos os PMs que irão controlar, prevenir e reprimir os chamados crimes transnacionais, especialmente as ocorrências de tráfico de drogas e armas, contrabando e descaminho, furto e roubo de gado, assaltos a estabelecimentos rurais e homicídios.
Nesta edição, a formação é voltada a sargentos da Brigada Militar e também a servidores de outras forças policiais de âmbito estadual e federal, além das polícias argentina e uruguaia.
Além da edição que está em andamento no Campo de Treinamento de Patrulha Rural, em Santana do Livramento, estão previstas mais duas edições até o final de 2011, bem como edições para oficiais e gestores dessas polícias.
A Brigada Militar também está desenvolvendo cursos específicos de prevenção a roubo internacional de cargas e combate ao abigeato; na área de bombeiros, curso de combate a incêndio florestal, investigação de sinistros e acidentes com cargas perigosas.
São objetivos específicos do curso habilitar os policiais para:
- comandar frações que atuam em áreas de fronteira;
- aplicar a técnica e tática de patrulhamento em área de fronteira desenvolvendo o conhecimento acerca da abordagem policial;
- policiamento comunitário na zona urbana e rural;
- fiscalizar a documentação fiscal e sanitária para o transporte de animais;
- fiscalizar a documentação aduaneira sobre circulação de pessoas, mercadorias e veículos;
- aplicar conhecimentos da legislação ambiental;
- proceder na busca e salvamento em área de fronteira;
- prática de tiro policial;
- aplicação de pronto-socorrismo.
Todas essas atividades também buscam promover a integração e troca de experiências com as demais organizações policiais do Brasil, da Argentina e do Uruguai, sempre visando que o Estado e os países vizinhos alcancem melhores resultados na área da segurança pública para as comunidades sob sua responsabilidade.
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quarta-feira, 27 de julho de 2011
FOCADA NA FRONTEIRA, POLÍCIA DO RS TRIPLICA APREENSÕES DE DROGAS

MUDANÇA DE FOCO. Polícia triplica apreensões de drogas no RS em 2011. Estratégia de investigar os carregamentos vindos do Exterior acarreta em 4,2 toneladas retidas - FRANCISCO AMORIM, ZERO HORA 27/07/2011
Ao investir no monitoramento de quadrilhas que despejam drogas no RS trazidas de países vizinhos, as polícias Civil e Militar triplicaram o volume das apreensões de entorpecentes no primeiro semestre em relação ao mesmo período de 2010. A estratégia de concentrar as investigações em bandos interestaduais evitou que 4,2 toneladas de maconha, cocaína e crack chegassem às ruas gaúchas.
As duas corporações gaúchas apostaram em campanas e escutas para descobrir a hora e o local certos da chegada dos carregamentos vindos de fora do país. Operações policiais que podem se estender por semanas em frente a bocas de fumo ou casa de suspeitos.
As ações levaram à apreensão de 3,9 toneladas apenas de maconha. E os números poderiam ser ainda maiores, pois na contabilidade oficial não está inserida 1,2 tonelada da droga – recolhida em uma operação da Brigada Militar com a Polícia Rodoviária Federal em junho, contabilizada no balanço da Polícia Federal.
Segundo o delegado Heliomar Franco, coordenador das delegacias especializadas do Departamento Estadual de Combate ao Narcotráfico (Denarc), as ações têm se concentrado nos elos entre estrangeiros e gaúchos.
– Quase sempre há a participação de alguém do Paraná ou Mato Grosso do Sul, que aproxima os dois lados. Quando há maior repressão na fronteira, o volume de drogas que circula no Estado diminui – explica o delegado.
Se grandes apreensões, acima de 500 quilos, podem ter inflacionado os números referentes à maconha, o mesmo não ocorre com a cocaína, geralmente, transportada em quantidades menores devido ao alto valor. Apreensões regulares, entre um e cinco quilos, no entanto, têm minado a ação dos traficantes. É possível que o volume de drogas que circulam no Estado também tenha crescido.
– Se as apreensões aumentaram 200% e o preço continua estável, não significa que temos aumento de 200% nos usuários, mas que o mercado continua abastecido – afirma o policial.
Os números das polícias gaúchas se somam aos da Polícia Federal no Estado, que apreendeu 3,2 toneladas de maconha e 74 quilos de cocaína e crack no primeiro semestre.
Crack em ritmo menor
Em relação a outras drogas, o volume de crack apreendido cresceu em ritmo mais tímido em 2011: de 131 quilos em 2010 para 148 quilos neste ano.
A explicação das autoridades policiais para o fenômeno é a de que a maior parte do crack consumido no Estado é produzido em solo gaúcho a partir da cocaína importada de países como a Colômbia. Ou seja, a droga surge a partir do que já está nas mãos dos bandidos gaúchos.
Outra característica do crack que reflete nos números é o fato de ser fabricado em pequenas quantidades, dificilmente ultrapassando 10 quilos. Elaborado por quadrilhas locais, ele é disseminado nas ruas pelas mãos de pequenos traficantes, que recebem o pagamento em pedras, dificultando a ação da polícia. As apreensões da droga são “de grão em grão”.
A polícia tem adotado uma estratégia dupla em relação ao crack. Além de conter o avanço da droga freando a entrada de cocaína, tenta reprimir o tráfico formiguinha em ações específicas nas bocas de fumo e em frente a escolas.
O volume apreendido nesse caso é tímido porque os criminosos portam propositalmente poucas pedras, em uma tentativa de se passarem por usuários.
Números do primeiro semestre - Apreensões de drogas pela PC e BM, em quilos
Substância - 2010 - 2011 - Aumento(%)
Maconha - 1.333,5 - 3.959,2 - 196,9%
Cocaína - 40,2 - 150,6 - 274,6%
Crack - 131,2 - 148,6 - 13,3%
segunda-feira, 25 de julho de 2011
TAMANHO E DIVERSIDADE SÃO DESAFIOS PARA A SEGURANÇA
Tamanho e diversidade do Brasil são desafios para segurança nas fronteiras - Agência Brasil, CORREIO BRAZILIENSE, 25/07/2011 09:33
A extensão da fronteira brasileira, quase 17 mil quilômetros, e a diversidade do país são os principais desafios para a segurança pública nessas regiões. A avaliação é da presidenta Dilma Rousseff, que comentou hoje (25) o balanço do primeiro mês do Plano Estratégico de Fronteiras.
Em 30 dias, 550 pessoas foram presas em flagrante. Além disso, 10,5 toneladas de maconha e 500 quilos de cocaína foram apreendidos nas fronteiras do país.
O plano, coordenado pelos ministérios da Justiça e da Defesa, envolve ações da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, da Força Nacional de Segurança e das Forças Armadas. A iniciativa visa a fortalecer as ações de controle nas fronteiras.
“O tamanho do Brasil e a diversidade da nossa geografia são os grandes desafios para a segurança na fronteira brasileira. São quase 17 mil quilômetros de extensão. E, para cada região, precisamos ter estratégias diferentes”, avaliou Dilma no programa semanal de rádio Café com a Presidenta.
A repressão à entrada de drogas e armas em território brasileiro é uma das principais frentes do plano, e, segundo Dilma, complementa outras ações da política de segurança pública do governo. “Quando impedimos a entrada de drogas e armas no país, evitamos que esses produtos cheguem às cidades, às comunidades e às favelas. E aí, esta operação se soma às várias ações que estamos implementando nos centros urbanos, como as UPPs [unidades de Polícia Pacificadora]”, disse.
Além das ações policiais, o plano prevê investimentos em tecnologia e inteligência. Segundo Dilma, o Ministério da Defesa está elaborando um sistema que vai permitir o monitoramento por satélite das fronteiras. “É impossível imaginar que quase 17 mil quilômetros de fronteira possam ser monitorados só com policiais e soldados. É preciso usar informações e ter equipamentos que permitam planejar as ações”, ressaltou a presidenta.
COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Enquanto não for criada uma Polícia Nacional de Fronteiras, este "plano" não passa do papel e da boa vontade dos gestores das organizações envolvidas. É preciso uma organização específica de formação técnica para se comprometer com a missão e focar resultados. As atuais instituições envolvidas têm outros afazeres e funções precípuas que não podem ser abandonadas ou desviadas, podendo no máximo apoiar em inteligência, reforço de tropa e logística.
A extensão da fronteira brasileira, quase 17 mil quilômetros, e a diversidade do país são os principais desafios para a segurança pública nessas regiões. A avaliação é da presidenta Dilma Rousseff, que comentou hoje (25) o balanço do primeiro mês do Plano Estratégico de Fronteiras.
Em 30 dias, 550 pessoas foram presas em flagrante. Além disso, 10,5 toneladas de maconha e 500 quilos de cocaína foram apreendidos nas fronteiras do país.
O plano, coordenado pelos ministérios da Justiça e da Defesa, envolve ações da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, da Força Nacional de Segurança e das Forças Armadas. A iniciativa visa a fortalecer as ações de controle nas fronteiras.
“O tamanho do Brasil e a diversidade da nossa geografia são os grandes desafios para a segurança na fronteira brasileira. São quase 17 mil quilômetros de extensão. E, para cada região, precisamos ter estratégias diferentes”, avaliou Dilma no programa semanal de rádio Café com a Presidenta.
A repressão à entrada de drogas e armas em território brasileiro é uma das principais frentes do plano, e, segundo Dilma, complementa outras ações da política de segurança pública do governo. “Quando impedimos a entrada de drogas e armas no país, evitamos que esses produtos cheguem às cidades, às comunidades e às favelas. E aí, esta operação se soma às várias ações que estamos implementando nos centros urbanos, como as UPPs [unidades de Polícia Pacificadora]”, disse.
Além das ações policiais, o plano prevê investimentos em tecnologia e inteligência. Segundo Dilma, o Ministério da Defesa está elaborando um sistema que vai permitir o monitoramento por satélite das fronteiras. “É impossível imaginar que quase 17 mil quilômetros de fronteira possam ser monitorados só com policiais e soldados. É preciso usar informações e ter equipamentos que permitam planejar as ações”, ressaltou a presidenta.
COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Enquanto não for criada uma Polícia Nacional de Fronteiras, este "plano" não passa do papel e da boa vontade dos gestores das organizações envolvidas. É preciso uma organização específica de formação técnica para se comprometer com a missão e focar resultados. As atuais instituições envolvidas têm outros afazeres e funções precípuas que não podem ser abandonadas ou desviadas, podendo no máximo apoiar em inteligência, reforço de tropa e logística.
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