PF diz ter desmantelado uma das principais quadrilhas de narcotraficantes que agia no país - o globo, 27/10/2011 às 16h27m; Leonardo Guandeline.
SÃO PAULO - A Polícia Federal (PF) diz ter desmantelado nesta quinta-feira uma das principais quadrilhas de tráfico de drogas internacionais que agia no país. O grupo era chefiado por dois narcotraficantes de São Paulo. Além deles, 34 pessoas, entre elas um estrangeiro, foram presas nesta quinta-feira em São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Ceará, Pará e Rondônia.
Batizada "Semilla", uma referência à semente em espanhol, como era chamada a cocaína pelos integrantes do grupo, a operação da PF cumpriu, ainda 59 mandados de busca e apreensão em várias cidades do país. Entre o material apreendido estão 15 veículos de luxo, a maioria de propriedade dos dois chefes do bando, uma aeronave e R$ 80 mil, além de armas.
As investigações sobre o bando tiveram início em julho do ano passado. Desde então foram apreendidos 4.327 kg de cocaína e 5.210 kg de maconha, além de uma aeronave e 48 veículos usados no transporte da droga. Até esta quinta-feira, 70 pessoas acusadas de integrar o bando haviam sido presas, entre elas um italiano acusado de ligação com a Sacra Corona Unita, organização criminosa que atua na região de Puglia, no Sul italiano.
De acordo com o delegado Ivo Roberto Costa da Silva, um dos coordenadores da operação e chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da PF em São Paulo, o grupo - tido como um dos principais atuantes no Brasil - perdeu força desde o início das investigações e das apreensões.
- Posso garantir que muito pouca coisa passou. Começamos com apreensões de 673 kg de cocaína. Ao fim apreendemos carregamentos de 30 kg. A quadrilha já não tinha o mesmo potencial - garante o delegado, acrescentando:
- Podemos dizer que o bando era um dos principais em relação ao narcotráfico que agia no país.
Segundo a PF, faziam parte do bando bolivianos, colombianos, brasileiros, paraguaios, africanos e europeus. Eles traziam cocaína da Bolívia por via aérea e terrestre e maconha do Paraguai. Do Brasil, a cocaína era enviada para a Europa e África via mulas ou de navio. Parte da droga, no entanto, era distribuída no país, a exemplo de toda a maconha paraguaia.
Dos 54 mandados de prisão expedidos pela 4ª Vara Criminal Federal de São Paulo, 36 foram cumpridos. Sete dos acusados são considerados foragidos e 11 foram encaminhados para a Interpol, para integrar a difusão vermelha, por se tratar de traficantes que estão fora do país.
Este Blog destaca o cenário atual de descaso, descontrole e insegurança nas fronteiras do Brasil, produzido políticas governamentais superficiais, militarizadas, pontuais, omissas na competência federal e inoperantes na contenção dos crimes de contrabando, descaminho, abigeato e tráfico de pessoas, armas, munição, drogas, valores, arte, veículos e animais.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
terça-feira, 25 de outubro de 2011
MONITORAMENTO DE CRIMINOSOS REFUGIADOS NO PARAGUAI
Polícia monitora pelo menos 30 criminosos refugiados no Paraguai - MS TV 2 EDIÇÃO CAMPO GRANDE, REDE GLOBO, Segunda-feira, 24/10/2011
A polícia monitora a rotina de pelo menos 30 criminosos brasileiros que teriam se refugiado no Paraguai. A prisão do traficante 'Polegar', revela que os foragidos, encontram no país vizinho, "tranquilidade" para continuar atuando no crime organizado.
A polícia monitora a rotina de pelo menos 30 criminosos brasileiros que teriam se refugiado no Paraguai. A prisão do traficante 'Polegar', revela que os foragidos, encontram no país vizinho, "tranquilidade" para continuar atuando no crime organizado.
CONTRABANDO - 300 CARRETAS COM CIGARROS
Polícia já apreendeu este ano mais de 300 carretas com contrabando de cigarros em MS - BOM DIA MS, REDE GLOBO, Terça-feira, 25/10/2011
Mais de 300 carretas com cigarro contrabandeado já foram apreendidas esse ano nas estradas que passam por Mato Grosso do Sul, segundo a Polícia Rodoviária Federal.
Mais de 300 carretas com cigarro contrabandeado já foram apreendidas esse ano nas estradas que passam por Mato Grosso do Sul, segundo a Polícia Rodoviária Federal.
sábado, 22 de outubro de 2011
TRÁFICO DE PESSOAS

Dados do Ministério Público e da Polícia Federal revelam que o número de brasileiros levados para o Exterior por traficantes já soma 70 mil. ISTOÉ mostra como funciona e quais são as principais rotas do esquema. Izabelle Torres e Flávio Costa - REVISTA ISTO É, N° Edição: 2189, 22.Out.11 - 23:36
Em Brasília, um bar que é ponto de prostituição serve de hotel para meninas à espera de passaportes e documentos para embarcar para o Exterior. O local é conhecido como “Toca das Gatas”. Duas viaturas policiais circulam fazendo a ronda, mas nenhum policial desce do carro. A única abordagem feita na noite em que a reportagem de ISTOÉ visitou o local teve como alvo justamente a equipe de reportagem, considerada intrusa pelos cafetões. Uma das garotas apresentou-se como “Cintia” e confirmou que estava aguardando a chegada de documentos a fim de embarcar para a Europa. Seu destino é Portugal. Mas, para pagar a viagem – documentos, passagens e hospedagens – , ela e outras meninas devem trabalhar pelo menos seis meses como prostitutas e repassar aos “chefes” 60% do que receberem. O esquema que aliciou “Cintia” no interior de Goiás se dissemina por diversos pontos do País e é mais amplo. De acordo com o Ministério Público, conta até com a participação de policiais e servidores. “Isso ocorre por dinheiro ou pela troca de favores com os bandidos. Muitas vezes, o pagamento pela facilitação vem em forma de favores sexuais”, diz a PhD em pesquisa de criminologia, a promotora do MP do Distrito Federal, Andrea Sacco.
Não é novidade que, atraídos pelo discurso do dinheiro fácil, pessoas sejam tiradas das periferias do Brasil e levadas para a Europa e os EUA e lá sejam submetidas à prostituição, trabalho escravo ou até mesmo transformadas em fornecedoras de órgãos para transplantes. Nos últimos meses, porém, o Brasil por meio de instituições como o Ministério Público e a Polícia Federal começou a reagir de forma a tentar desbaratar essas quadrilhas. O primeiro passo para isso foi um amplo levantamento sobre a forma de atuar desses traficantes e as rotas que eles estabelecem. Hoje, sabe-se que as ações dos criminosos estão concentradas em pelo menos 520 municípios brasileiros. Nessas cidades, pessoas são aliciadas e ficam em hotéis, pequenos abrigos ou pontos de prostituição, como ilustra o caso de Brasília, até receber seus passaportes, não raro, falsos, e ser mandadas para sete Estados que servem de escala para o Exterior. São eles os seguintes Estados: Amazonas, Bahia, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Roraima e São Paulo. Segundo o MP, além de Portugal, os destinos mais frequentes são Espanha, Itália e Venezuela. No total, o número de pessoas levadas para o Exterior por traficantes já soma 70 mil. De acordo com a PF, as quadrilhas que comandam o tráfico de pessoas só perdem em lucratividade para as de tráfico de drogas e de armas. A ONU estima que a máfia de pessoas movimenta por ano mais de US$ 30 bilhões. Cerca de 10% desse dinheiro passa pelo Brasil. A principal dificuldade do poder público para enfrentar essas quadrilhas é a falta de um órgão dedicado exclusivamente ao tema. Outro problema, até mais grave, é o alto grau de corrupção que envolve essa modalidade de crime. “O tráfico é diretamente dependente da corrupção. No caso do Brasil, esbarramos também na falta de informações oficiais. Um país sem controle e sem números sobre um crime é um país sem ordem”, diz Sacco.
O bailarino e empresário cultural, Paulo Franco, de 28 anos, foi uma das vítimas do tráfico para trabalho escravo. Depois de ser contratado pela empresa de entretenimento turca Sunu Sahne para apresentações de ritmos brasileiros em hotéis da costa asiática da Turquia, ele e o grupo do qual fazia parte foram alojados num hotel em péssimas condições. O pagamento antecipado não foi feito, e os vistos de trabalho prometidos não chegaram. Apesar disso, os shows foram realizados durante 40 dias. Investigações preliminares da diplomacia brasileira constataram que o grupo caiu numa rede de tráfico de pessoas. “Quando conseguimos voltar, tivemos uma recepção fria por parte da PF. A delegada que pegou meu depoimento tratou-me como se eu fosse autor do crime do qual fui vítima”, lamenta Franco.
As dificuldades de brasileiros que caíram nas mãos da máfia do tráfico de seres humanos estão sendo relatadas em pesquisa realizada pela Universidade de Brasília (UnB) em parceria com o Ministério da Saúde. O pesquisador Mário Ângelo da Silva percorreu alguns dos países europeus considerados os principais destinos de brasileiros vítimas do tráfico para fins de exploração sexual. Em Portugal, para onde são dirigidas quase a metade das pessoas aliciadas, o pesquisador encontrou um quadro alarmante de isolamento e doenças. “Essas pessoas vão de forma clandestina e vivem em condições degradantes. A maior parte está com tuberculose por conta do confinamento em quartos”, constata. No documento que vai encaminhar ao Ministério da Saúde, a equipe do professor Ângelo reproduz depoimentos de algumas mulheres que vivem no Exterior. “Elas contaram que apanham frequentemente e que são obrigadas a consumir drogas”, afirma Ângelo. Vítima do esquema, Rosenilda Barbosa Alves conta que teve duas filhas traficadas para ser adotadas ilegalmente em Portugal. “Há seis anos, travo uma batalha na Justiça para reaver a guarda delas”, afirma.
Jovens de baixa escolaridade, a maioria entre 16 e 25 anos, viajam por vontade própria atraídas pela promessa de trabalhar, receber em euro e regressar quando quiser. “Fui incentivada por uma amiga. Muita gente diz que não faz programa e que pode trabalhar de vendedora em shoppings. Mas não é assim. Tem casos de colegas obrigadas a ficar nas casas que eles indicam e que são submetidas até a agressões físicas”, conta “Amanda”, uma garota que conseguiu comprar dos traficantes a viagem de volta para Roraima. Na mesma cidade, a equipe de pesquisadores encontrou “Sueli”, à espera de documentos a fim de seguir viagem para a Europa. “Espero que eu seja uma das que vai ter sucesso lá e que eu consiga juntar dinheiro para dar uma vida melhor para meus filhos”, planeja ela, no depoimento gravado pelos pesquisadores.
O sonho de ganhar dinheiro, a vergonha das meninas que precisam se prostituir e o medo dos chefes das quadrilhas são os principais obstáculos à formulação de estatísticas oficiais. Quem vai perde o contato com as famílias. Quando conseguem voltar, não querem denunciar por vergonha e também por medo de sofrer represálias dos integrantes do esquema no Brasil. O caso mais lembrado pelas vítimas é o de Letícia Peres, assassinada a tiros em Brasília depois de contar para a polícia detalhes do esquema de tráfico de pessoas na Espanha. “A ausência dos registros é normal. Elas temem aparecer como vítima ou como prostituta. Por isso, preferem o silêncio. Diante disso, o poder público, que já enfrenta inúmeras dificuldades, tem mais um obstáculo”, diz Ângelo. “O problema é que sem cooperação entre as autoridades policiais e o Executivo dos países da América do Sul é impossível desarticular essas quadrilhas de traficantes”, completa Bo Mathiessen, diretor do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc) para Brasil e Cone Sul.
No Congresso, uma Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado tenta dar um norte para as políticas de combate ao tráfico de pessoas. A tarefa é difícil. Até agora, as audiências e as investigações dos senadores se limitaram a concluir que existem esquemas milionários com tentáculos no Brasil, que a legislação nacional contribui para o aumento dos casos e que há falhas graves dos agentes públicos. “As investigações mostraram que São Paulo, o maior centro financeiro do País, ostenta o indigno título de maior polo receptor de tráfico para exploração sexual do País, principalmente quando se trata de vítimas homossexuais ou transexuais. Entretanto, apenas dez inquéritos foram abertos no Estado no ano passado”, ressalta a presidente da CPI, senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).
Na verdade, o baixo número de inquéritos em São Paulo para investigar as quadrilhas é uma realidade espalhada por todos os Estados. Em Roraima, por exemplo, uma das principais rotas, apenas 27 investigações foram concluídas nos últimos dez anos. No início do mês, o Ministério Público pediu a prisão de três integrantes de um esquema de aliciamento que agia naquela região. O temor dos promotores é de que os bandidos fujam antes de ser presos. As dificuldades do País em colocar atrás das grades os traficantes de seres humanos são conhecidas no âmbito internacional. Em junho de 2010, um relatório divulgado pelo Departamento de Estado americano afirmou que o governo brasileiro ainda não cumpre totalmente os padrões mínimos para enfrentar o problema.
Contrário às críticas, o secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão, discorda da avaliação de que nada foi feito pelas autoridades federais. Segundo ele, entre 2007 e 2010, o Ministério da Justiça repassou R$ 3,275 milhões para a criação ou instalação de 13 núcleos de enfrentamento ao tráfico nos seguintes Estados: Acre, Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo. “O primeiro plano teve foco no acolhimento das vítimas e na estruturação de uma rede mínima de enfrentamento. No segundo plano, nós vamos ampliar a rede existente. Todas as cidades-sedes da Copa do Mundo deverão ter núcleos e postos voltados para o combate ao tráfico de pessoas”, adianta Abrão. O problema é que, entre as boas intenções e o efetivo combate ao crime, ainda há um longo caminho a percorrer.
FORNECEDOR DE DROGAS DOMINA 70% DO PLANTIO DE MACONHA NO PARAGUAI
CONEXÃO. Fornecedor de maconha do Complexo do Alemão domina 70% do plantio da droga no Paraguai - O GLOBO, 06/12/2010 às 00h24m; Sérgio Ramalho - Enviado especial
CIUDAD DEL ESTE, Paraguai - Comparada a uma partida de xadrez, a ocupação dos complexos do Alemão e da Vila Cruzeiro deixou em xeque a maior facção criminosa do Rio. Porém, o movimento que pode levar a um xeque-mate depende do governo federal e deve ser feito a 1.614 quilômetros do estado, na fronteira com o Paraguai. No país vizinho, um consórcio de traficantes cariocas e paulistas domina 70% das áreas de plantio de maconha em Capitán Bado e Pedro Juan Caballero, cidades na fronteira com o Mato Grosso do Sul. Um negócio milionário que tem à frente o traficante Marcelo da Silva Leandro, o Marcelinho Niterói.
O domínio das áreas de plantio garante lucros astronômicos às duas facções criminosas. Para se ter uma ideia das cifras, um quilo da droga no Paraguai é comprado por valores que variam de R$ 15 a R$ 30. Vale lembrar que R$ 1 equivale a 2.700 guaranis, a moeda paraguaia. No Rio, o quilo da droga varia entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil, garantindo uma margem de lucro superior a 3.000%. A promotora Jiskia Trentin, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Mato Grosso do Sul, estima em US$ 20 milhões (R$ 34 milhões) as cifras movimentadas mensalmente pelo tráfico de maconha na fronteira.
As áreas de plantio da droga no país ocupam seis mil hectares, aproximadamente 64,8 mil metros quadrados ou seis mil campos de futebol. O número consta do relatório mundial sobre drogas 2010 da ONU e foi estimado em 2008 pela Secretaría Nacional Antidrogas (Senad), do Paraguai. Juntas, as facções carioca e paulista dominam as regiões, onde estão concentrados 4,2 mil hectares - 48,6 mil metros quadrados - de terras usadas no cultivo da Cannabis sativa. A cidade paraguaia de Capitán Bado figura como o principal reduto do bando.
O domínio da região por traficantes brasileiros começou em 2001, após os assassinatos de Ramón e Mauro, filhos de João Morel, então considerado o rei da maconha. Investigações da Senad e de promotores da Fiscalía de Amambay - estado onde estão localizadas as cidades de Pedro Juan Caballero e Capitán Bado - apontam Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, como mandante dos crimes. A partir das execuções dos chefes da família Morel, a facção de Beira-Mar ampliou o domínio territorial de Capitán Bado a Pedro Juan Caballero. Investigações conjuntas da Polícia Federal e da Senad indicam que com a prisão de Beira-Mar, hoje na Penitenciária Federal de Campo Grande (MS), Marcelinho Niterói passou a comandar os "negócios" da quadrilha na fronteira.
Aliado antigo de Beira-Mar, que o trata como "filho louro", Marcelinho Niterói é de uma família de classe média de Icaraí. Além do plantio, ele também coordena as rotas de transporte da droga para abastecer os pontos de venda da facção no Rio.
Dados da PF mostram que 80% da maconha apreendida do Rio têm como procedência o Paraguai. Os demais 20% saem de plantações na Bolívia, país que apresentou aumento nas áreas de cultivo da droga, segundo relatório da ONU.
CIUDAD DEL ESTE, Paraguai - Comparada a uma partida de xadrez, a ocupação dos complexos do Alemão e da Vila Cruzeiro deixou em xeque a maior facção criminosa do Rio. Porém, o movimento que pode levar a um xeque-mate depende do governo federal e deve ser feito a 1.614 quilômetros do estado, na fronteira com o Paraguai. No país vizinho, um consórcio de traficantes cariocas e paulistas domina 70% das áreas de plantio de maconha em Capitán Bado e Pedro Juan Caballero, cidades na fronteira com o Mato Grosso do Sul. Um negócio milionário que tem à frente o traficante Marcelo da Silva Leandro, o Marcelinho Niterói.
O domínio das áreas de plantio garante lucros astronômicos às duas facções criminosas. Para se ter uma ideia das cifras, um quilo da droga no Paraguai é comprado por valores que variam de R$ 15 a R$ 30. Vale lembrar que R$ 1 equivale a 2.700 guaranis, a moeda paraguaia. No Rio, o quilo da droga varia entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil, garantindo uma margem de lucro superior a 3.000%. A promotora Jiskia Trentin, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Mato Grosso do Sul, estima em US$ 20 milhões (R$ 34 milhões) as cifras movimentadas mensalmente pelo tráfico de maconha na fronteira.
As áreas de plantio da droga no país ocupam seis mil hectares, aproximadamente 64,8 mil metros quadrados ou seis mil campos de futebol. O número consta do relatório mundial sobre drogas 2010 da ONU e foi estimado em 2008 pela Secretaría Nacional Antidrogas (Senad), do Paraguai. Juntas, as facções carioca e paulista dominam as regiões, onde estão concentrados 4,2 mil hectares - 48,6 mil metros quadrados - de terras usadas no cultivo da Cannabis sativa. A cidade paraguaia de Capitán Bado figura como o principal reduto do bando.
O domínio da região por traficantes brasileiros começou em 2001, após os assassinatos de Ramón e Mauro, filhos de João Morel, então considerado o rei da maconha. Investigações da Senad e de promotores da Fiscalía de Amambay - estado onde estão localizadas as cidades de Pedro Juan Caballero e Capitán Bado - apontam Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, como mandante dos crimes. A partir das execuções dos chefes da família Morel, a facção de Beira-Mar ampliou o domínio territorial de Capitán Bado a Pedro Juan Caballero. Investigações conjuntas da Polícia Federal e da Senad indicam que com a prisão de Beira-Mar, hoje na Penitenciária Federal de Campo Grande (MS), Marcelinho Niterói passou a comandar os "negócios" da quadrilha na fronteira.
Aliado antigo de Beira-Mar, que o trata como "filho louro", Marcelinho Niterói é de uma família de classe média de Icaraí. Além do plantio, ele também coordena as rotas de transporte da droga para abastecer os pontos de venda da facção no Rio.
Dados da PF mostram que 80% da maconha apreendida do Rio têm como procedência o Paraguai. Os demais 20% saem de plantações na Bolívia, país que apresentou aumento nas áreas de cultivo da droga, segundo relatório da ONU.
10 BANDIDOS DO RIO ESTARIAM NO PARAGUAI
Entre eles, traficantes do Alemão e da Penha. O GLOBO, 21/10/2011 às 23h52m; Antônio Werneck e Sérgio Ramalho.
RIO - Procurados desde que militares tomaram os complexos do Alemão e da Penha, no ano passado, os traficantes Fabiano Atanásio da Silva, o FB, e Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, podem estar escondidos no Paraguai, informaram policiais federais do Rio. A exemplo de Alexander Mendes da Silva, o Polegar, que chegou na sexta-feira ao Rio depois de ser preso em Pedro Juan Caballero, no Paraguai , investigações da PF e das autoridades daquele país indicam que pelo menos dez bandidos do Rio estão escondidos em cidades paraguaias que fazem fronteira com o Mato Grosso do Sul.
Polegar, 37 anos, preso na última terça-feira , desembarcou na tarde de sexta-feira na pista de pouso do 3º Comando Militar Aéreo (Comar), no Aeroporto Santos Dumont, sob um forte aparato de segurança da Polícia Federal. Usando colete à prova de balas, ele foi levado ao Instituto Médico Legal (IML), onde se submeteu a exame de corpo de delito, e, em seguida, foi encaminhado à sede da PF, na Praça Mauá. Depois de ser identificado e fotografado, ele seguiu para o presídio de segurança máxima Bangu 1.
A permanência do bandido na unidade deve ser curta. O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, solicitou à justiça que Polegar seja levado a uma penitenciária federal fora do estado. A assessoria do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) informou que aguarda decisão do Tribunal de Justiça (TJ) do Rio para definir o destino do traficante, que deve ser levado à penitenciária de Porto Velho, em Rondônia. Durante visita, ontem, à instalação da futura sede da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro da Mangueira, Beltrame reiterou esperar que a justiça decida o mais rápido possível sobre o pedido de transferência do bandido, que chefiava a venda de drogas na Favela da Mangueira.
- Esperamos a decisão para o mais rápido possível. Ainda não sabemos qual o presídio, mas o que temos certeza é que queremos Polegar bem longe do Rio. Gostaria que fosse transferido hoje mesmo, mas é o Judiciário que decide - afirmou o secretário.
Polegar passa mal na viagem e é medicado
Muito tenso e reclamando de muitas dores na barriga durante o voo para o Rio, o traficante Alexander Mendes da Silva, o Polegar, teve que ser medicado pelos policiais federais que faziam sua escolta. Nervoso, pediu água e tomou cloridrato de ranitidina, medicamento receitado a pacientes com crises de gastrite ou úlcera. Polegar começou a passar mal quando chegou em Ponta-Porã, cidade do Mato Grosso do Sul na fronteira com o Paraguai.
- É o primeiro contato dele, Polegar, com a Polícia Federal. É natural o nervosismo.
Ele sabe que o nosso trabalho é sério. Isso pode ter agravado os sintomas da sua doença, a gastrite. Compramos remédios, e ele melhorou - disse o delegado Fábio Andrade, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da PF.
Traficante estava usando relógio de R$ 4 mil
O delegado Victor Poubel, da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Dcor), disse que a Polícia Federal vai abrir inquérito para investigar as atividades de Polegar no Paraguai.
- A partir de agora vamos fazer uma ampla investigação, abrindo inquérito, para sabermos o que ele fazia no Paraguai - disse Poubel.
No dia de sua prisão, Polegar, segundo Poubel, comprava um carro de luxo de R$ 150 mil com dinheiro vivo. No Paraguai, vivia numa casa grande, de classe média alta, com piscina.
- Ele tinha um padrão muito superior aos vizinhos - contou Poubel.
O delegado Fábio lembrou que a viagem até o Rio durou cerca de 4h30m e que Polegar falou muito pouco. Numa dessas raras vezes, informou que estava no Paraguai desde sua fuga, em 2009, quando saiu para trabalhar e não voltou para a cadeia. O delegado, entretanto, não deixou de reparar num único bem material que o traficante carregava: um relógio Mido, cujo valor de alguns modelos pode ultrapassar R$ 4 mil.
RIO - Procurados desde que militares tomaram os complexos do Alemão e da Penha, no ano passado, os traficantes Fabiano Atanásio da Silva, o FB, e Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, podem estar escondidos no Paraguai, informaram policiais federais do Rio. A exemplo de Alexander Mendes da Silva, o Polegar, que chegou na sexta-feira ao Rio depois de ser preso em Pedro Juan Caballero, no Paraguai , investigações da PF e das autoridades daquele país indicam que pelo menos dez bandidos do Rio estão escondidos em cidades paraguaias que fazem fronteira com o Mato Grosso do Sul.
Polegar, 37 anos, preso na última terça-feira , desembarcou na tarde de sexta-feira na pista de pouso do 3º Comando Militar Aéreo (Comar), no Aeroporto Santos Dumont, sob um forte aparato de segurança da Polícia Federal. Usando colete à prova de balas, ele foi levado ao Instituto Médico Legal (IML), onde se submeteu a exame de corpo de delito, e, em seguida, foi encaminhado à sede da PF, na Praça Mauá. Depois de ser identificado e fotografado, ele seguiu para o presídio de segurança máxima Bangu 1.
A permanência do bandido na unidade deve ser curta. O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, solicitou à justiça que Polegar seja levado a uma penitenciária federal fora do estado. A assessoria do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) informou que aguarda decisão do Tribunal de Justiça (TJ) do Rio para definir o destino do traficante, que deve ser levado à penitenciária de Porto Velho, em Rondônia. Durante visita, ontem, à instalação da futura sede da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro da Mangueira, Beltrame reiterou esperar que a justiça decida o mais rápido possível sobre o pedido de transferência do bandido, que chefiava a venda de drogas na Favela da Mangueira.
- Esperamos a decisão para o mais rápido possível. Ainda não sabemos qual o presídio, mas o que temos certeza é que queremos Polegar bem longe do Rio. Gostaria que fosse transferido hoje mesmo, mas é o Judiciário que decide - afirmou o secretário.
Polegar passa mal na viagem e é medicado
Muito tenso e reclamando de muitas dores na barriga durante o voo para o Rio, o traficante Alexander Mendes da Silva, o Polegar, teve que ser medicado pelos policiais federais que faziam sua escolta. Nervoso, pediu água e tomou cloridrato de ranitidina, medicamento receitado a pacientes com crises de gastrite ou úlcera. Polegar começou a passar mal quando chegou em Ponta-Porã, cidade do Mato Grosso do Sul na fronteira com o Paraguai.
- É o primeiro contato dele, Polegar, com a Polícia Federal. É natural o nervosismo.
Ele sabe que o nosso trabalho é sério. Isso pode ter agravado os sintomas da sua doença, a gastrite. Compramos remédios, e ele melhorou - disse o delegado Fábio Andrade, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da PF.
Traficante estava usando relógio de R$ 4 mil
O delegado Victor Poubel, da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Dcor), disse que a Polícia Federal vai abrir inquérito para investigar as atividades de Polegar no Paraguai.
- A partir de agora vamos fazer uma ampla investigação, abrindo inquérito, para sabermos o que ele fazia no Paraguai - disse Poubel.
No dia de sua prisão, Polegar, segundo Poubel, comprava um carro de luxo de R$ 150 mil com dinheiro vivo. No Paraguai, vivia numa casa grande, de classe média alta, com piscina.
- Ele tinha um padrão muito superior aos vizinhos - contou Poubel.
O delegado Fábio lembrou que a viagem até o Rio durou cerca de 4h30m e que Polegar falou muito pouco. Numa dessas raras vezes, informou que estava no Paraguai desde sua fuga, em 2009, quando saiu para trabalhar e não voltou para a cadeia. O delegado, entretanto, não deixou de reparar num único bem material que o traficante carregava: um relógio Mido, cujo valor de alguns modelos pode ultrapassar R$ 4 mil.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
PROTESTO DA PF NAS FRONTEIRAS POR MELHORES CONDIÇÕES DE TRABALHO
PROTESTO NAS FRONTEIRAS - Policiais federais fazem manifestações - ZERO HORA 21/10/2011
Policiais federais que atuam em áreas de fronteiras realizaram manifestações, ontem, por melhores condições de trabalho.
Em Uruguaiana, serviços como emissão de passaporte, registro de arma, controle e vistoria de produtos deixaram de ser feitos.
Em Santo Ângelo, a paralisação durou duas horas, das 10h ao meio-dia e, nas aduanas de Porto Xavier e Porto Mauá, foi realizada operação padrão pela manhã.
No Chuí, oito policiais da base no município e de Santa Vitória do Palmar pararam entre as 10h e o meio-dia.
Também houve manifestações em Jaguarão, onde os policiais montaram barreira na cabeceira da Ponte Mauá.
Em Bagé, faixas foram colocadas em frente ao prédio da Polícia Federal.
COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Nada que este blog não tenha apontado nas matérias publicadas sobre a insegurança e inoperância policial nas fronteiras do Brasil. O sentimento dos policiais federais é o mesmo que motiva o criador deste blog.
Policiais federais que atuam em áreas de fronteiras realizaram manifestações, ontem, por melhores condições de trabalho.
Em Uruguaiana, serviços como emissão de passaporte, registro de arma, controle e vistoria de produtos deixaram de ser feitos.
Em Santo Ângelo, a paralisação durou duas horas, das 10h ao meio-dia e, nas aduanas de Porto Xavier e Porto Mauá, foi realizada operação padrão pela manhã.
No Chuí, oito policiais da base no município e de Santa Vitória do Palmar pararam entre as 10h e o meio-dia.
Também houve manifestações em Jaguarão, onde os policiais montaram barreira na cabeceira da Ponte Mauá.
Em Bagé, faixas foram colocadas em frente ao prédio da Polícia Federal.
COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Nada que este blog não tenha apontado nas matérias publicadas sobre a insegurança e inoperância policial nas fronteiras do Brasil. O sentimento dos policiais federais é o mesmo que motiva o criador deste blog.
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