segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O IMPÉRIO DO CRIME - OS CARTÉIS SE DIVERSIFICARAM



“Os cartéis se diversificaram” - Ricardo Gúzman Wolffer, juiz federal no México - ZERO HORA 22/08/2011

Zero Hora – Como o crime no México se organiza a partir do tráfico de drogas e armas?

Ricardo Gúzman Wolffer – O problema reside no fato de que os cartéis mexicanos já não se dedicam apenas a drogas e armas. Eles se diversificaram e muitos ocuparam o lugar, por exemplo, dos contrabandistas de (imigrantes) ilegais, dos sequestradores de empresários, dos traficantes de animais. São grupos criminosos fortes, com capacidade de se reconstruir, mesmo com a prisão de chefes.

ZH – Além do aumento do número de homicídios registrados nos últimos anos na faixa de fronteira, que outros fenômenos surgiram em outras partes do país em decorrência do tráfico?

Wolffer – A confrontação brutal entre delinquentes, policiais e juízes é talvez a parte mais difícil da repercussão das atividades na fronteira, e já não pode ser vista como um fato isolado em relação ao que ocorre no resto do país. O controle das fronteiras é apenas mais um dos muitos negócios mantidos pelos grupos criminosos.

ZH – Em que medida a corrupção pode potencializar a ação organizada de criminosos?

Wolffer – Até o ponto extremo de se ter perdido o controle do Estado sobre muitos pontos do país. Em alguns locais, não se pode distinguir os policiais dos delinquentes e, em outros, a população fugiu. Em alguns povoados do norte do país, restaram apenas casas vazias e queimadas, as ruas têm restos de automóveis queimados e ninguém mais vive ali.

ZH – O combate ao crime está sendo feito de que forma? Que medidas poderiam servir de exemplo?

Wolffer – A guerra militarizada não está funcionando, já se contam mais de 50 mil mortos e milhares de desaparecidos. Mas o governo não pensa em mudar de estratégia, seria como aceitar que todas essas mortes poderiam ser evitadas. O que tem faltado é combater o dinheiro desses delinquentes, bloquear suas contas, interromper o fluxo do dinheiro. Não se pode deter o crime sem lhes cortar o dinheiro que parece não ter limite.


EVENTO NA CAPITAL. Seminário discute a criminalidade - ZERO HORA 22/08/2011

Ao reunir psiquiatras, juristas, jornalistas e representantes instituições ligadas à área da Segurança, o seminário O Império do Crime, que será realizado hoje e amanhã na Capital, pretende discutir temas como a ressocialização de egressos de presídios, penas alternativas e questões ligadas ao Direitos Humanos. Promovido pelo jornal MenteCorpo e pelo Centro de Estudos de Literatura e Psicanálise Cyro Martins, o evento no Centro de Eventos do Plaza São Rafael debaterá, entre outros temas, a criminalidade organizada, os ação de bandidos em áreas de fronteira e a violência contra crianças, mulheres e idosos. Entre os palestrantes, a organização do evento confirma a presença do Ricardo Gúzman Wolffer, juiz federal no México. Ele falará hoje sobre os crimes fronteiriços, em especial, os tráficos de armas e drogas, que além de afetar as relações entre seu país e os EUA, têm elevado bruscamente o número de mortes do lado mexicano.

UM NOVO OLHAR SOBRE O PROBLEMA E PERSPECTIVAS DE SOLUÇÕES

PROGRAMAÇÃO

Dias: 22 e 23 de agosto de 2011
Local: Centro de Eventos Plaza São Rafael

Dia 22 de agosto de 2011 (segunda-feira):

08h30 - Credenciamento

09h00 - ABERTURA OFICIAL
- Dra. Maria Helena Martins, Diretora-Presidente do CELPCYRO
- Dr. João Gomes Mariante, Diretor do Jornal MenteCorpo e Presidente do Seminário
- CONFERÊNCIA DE ABERTURA “A instituição do PRONASCI" - Dr. Tarso Fernando Genro, Governador do Estado do RS, (a confirmar)
- Entrega da Homenagem - Dr. Ruy Rosado de Aguiar Junior e Dr. Paulo Brossard de Souza Pinto

10h00 - A CRIMINALIDADE INSTITUCIONALIZADA
- Dr. Fabiano Dallazen, Promotor de Justiça Criminal do MPRS
- Dr. Jader Marques, Advogado Criminalista
- Mediadora: Dra. Fabianne Breton Baisch, Desembargadora da 8ª Câmara Criminal

11h00 - Intervalo

11h30 - CRIMES DE FRONTEIRA (TRÁFICO DE DROGAS E ARMAS)
- Dr. Ricardo Gúzman Wolffer, Juiz Federal México
- Coordenador: Dr. Claudio M. Martins, Coordenador de Saúde Mental do CELCYRO

12h30 - Intervalo Almoço

14h00 - VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS, MULHERES E IDOSOS
- Sr. Luiz Fernando Oderich, Presidente da ONG Brasil Sem Grades
- Dra. Jane Maria Köhler Vidal, Juíza de Direito da 3² Vara Cível de Porto Alegre
- Dr. Jaime Vaz Brasil, Médico Psiquiatra
- Dra. Maria Dinair Acosta Gonçalves,Advogada, Presidente da Comissão Especial da Criança e do Adolescente da OAB/RS
- Mediadora: Dra. Corina Breton, Advogada, Diretora do Instituto Chega de Violência

16h00 - ADOLESCENTE E CRIME (processo de reabilitação e reincidência)
- Dra. Maria Regina Fay de Azambuja, Procuradora de Justiça do Ministério Público do RS
- Sra. Joelza Mesquita Andrade Pires, Presidente da Fundação de Atendimento Sócio-Educativo do RS
- Dr. Carlos Luiz Sioda Kremer, Advogado, Vice-Presidente da Comissão Especial da Criança e do Adolescente da OAB/RS
Mediadora: Dra. Delma Silveira Ibias, Presidente do IBDFAM RS

17h30 - Intervalo

18h00 - A PSICODINÂMICA DO CRIME
- Dr. João Gomes Mariante, Jornalista, Psiquiatra, Psicanalista e Escritor
- Coordenador: Sr. João Batista de Melo Filho, Vice-Presidente da ARI

18h30 Encerramento

Dia 23 de agosto de 2011 (terça-feira)

09h00 OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO E O COMBATE AO CRIME
- Sr. Humberto Trezzi, Repórter e Colunista de Segurança Pública da Zero Hora
- Sra. Paula Milano Sória Quedi, Editora Geral, Esportes, Internacional e Jornal da Lei, Jornal do Comércio
- Sr. Eugênio Bortolon, Chefe de Redação e Editor de Economia do Jornal Correio do Povo
- Sr. Israel Rahal, Editor Geral do Jornal O Sul
- Mediador: Sr. Ercy Pereira Torma, Presidente da ARI

11h00 - A POLÍTICA DA SEGURANÇA PÚBLICA NO RS
- Sr. Airton Michels, Secretário de Segurança Pública do RS
- Mediador: Dr. Thiago Roberto Sarmento Leite, Advogado

12h00 Intervalo Almoço

13h30 - PROPOSIÇÕES PARA A RESSOCIALIZAÇÃO DO APENADO
- Sr. Humberto Luis Ruga, Presidente do Conselho Curador da SOAD, Presidente do Conselho da ONG Parceiros Voluntários
- Sra. Tânia Spoleder de Souza, Diretora da Fundação de Apoio ao Egresso do Sistema Penitenciário – FAESP
- Dr. Rinez da Trindade, Juíz Assessor da Presidência do TJ-RS
- Mediadora: Dra. Elisangela Melo Reghelin, Professora da Unisinos

15h00 - REALIZAÇÕES EXITOSAS: atrás das grades e além dos muros
- Dra. Heleusa Figueira Câmara, Socióloga
- Sr. Hélio Alves Teixeira, Egressos do Sistema Penitenciário (depoimento)
- Mediadora: Sra. Maria Helena Martins, Diretora-Presidente do CELPCYRO

16h00 Intervalo

16h20 - AÇÕES DE PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO AO CRIME ORGANIZADO
- Sr. José Fernando Moraes Chuy, Delegado da Polícia Federal
- Sr. Ranolfo Vieira Júnior, Chefe da Polícia Civil do Estado do Rio Grande do Sul
- Sr. Sergio Roberto de Abreu, Coronel Comandante-Geral da Brigada Militar do RS
- Mediador: Ver. Kevin Krieger, Presidente da Fundação de Assistência Social e Cidadania (FASC), Vereador de Porto Alegre

17h30 - PENAS ALTERNATIVAS
- Dr. Aramis Nassif, Desembargador do TJRS
- Dr. Edson Borges, Psicólogo
- Mediador: Dr. Claudio Prates Lamachia, Presidente da OAB/RS (a confirmar)

18h30 - Encerramento

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

NA BR 293 - BRASILEIRO E ARGENTINO PRESOS COM 91 KG DE MACONHA

Polícia apreende 91 quilos de maconha em Dom Pedrito. Brasileiro e argentino foram presos na BR-293 - Jossicar Saraiva /CORREIO DO POVO, 17/08/2011 08:13

Numa operação conjunta da Patrulha Rural da Brigada Militar e Polícia Rodoviária Federal de Dom Pedrito, foram presos na BR 293, altura do km 35, dois homens com 91 quilos de maconha. Um argentino, de 61 anos, e um brasileiro, de 32 anos, estavam em uma Parati e já vinham sendo monitorados desde a entrada no Brasil, em Uruguaiana.

Segundo a Polícia, quando os acusados perceberam que estavam sendo perseguidos, começaram a descartar a droga pelo percurso. Eles vinham de Passo de Los Libres com destino a Rio Grande e foram presos em flagrante.

Com os traficantes foram apreendidos vários celulares, R$ 117, 870 pesos argentinos e 1.100 guaranis (moeda paraguaia). A prisão ocorreu por volta das 3h.

sábado, 13 de agosto de 2011

FRONTEIRA ABERTA DOBRA PROCURA DA INTERPOL POR FORAGIDOS



Brasileiros procurados pela Interpol. Facilidade de fuga pelas fronteiras e aumento de pedidos de prisão internacional fazem dobrar o número de criminosos do País foragidos no exterior - Flávio Costa - REVISTA ISTO É, N° Edição: 2179, 13.Ago.11 - 10:25


Uma rápida olhada identifica poucos rostos conhecidos. Mas na relação de brasileiros procurados pela Organização Internacional de Polícia Criminal, a Interpol, todos são igualmente perigosos. E a lista pública de criminosos pátrios no site da instituição está em plena expansão. Nos últimos dois anos, o número de brasileiros procurados praticamente dobrou, chegando a 173. Entre os fatores que contribuem para essa situação está a vulnerabilidade nas fronteiras e nos aeroportos nacionais, revelada por ISTOÉ na sua edição de 25 de maio deste ano. A reportagem mostrou que a Polícia Federal declinou parte do controle de entrada e saída do País e a emissão de passaportes para despreparados funcionários de empresas terceirizadas – o que é um prato cheio para bandidos em fuga. Mas também há um lado positivo nesse aumento, que é o azeitamento das relações entre autoridades policiais e judiciárias, regulamentado desde o final de 2010 pelo Conselho Nacional de Justiça. O órgão de controle externo do Judiciário brasileiro publicou instrução normativa que definiu regras para a emissão de mandados de prisão internacionais, colaborando para o crescimento dos avisos de foragidos à Interpol, chamada de difusão vermelha.

Com isso, o número de prisões também aumentou. “Do início de 2010 para cá, conseguimos prender 39 foragidos da Justiça brasileira, sendo 24 brasileiros”, informa o coordenador da Interpol no Brasil, o delegado federal Luiz Eduardo Navajas. “É um índice de detenções acima da nossa média histórica.” No País, a Polícia Federal representa a entidade policial intergovernamental, com sede em Lyon (França) e presente em 188 países. A maioria das prisões de brasileiros acontece na Península Ibérica (Portugal e Espanha). São os locais mais procurados pelos criminosos devido à facilidade do idioma. Com base em indícios de que o réu saiu do país em que é acusado, o juiz emite uma ordem de prisão internacional e, nesse momento, escolhe se ele fará parte ou não da lista pública do site. Portanto, há brasileiros caçados sob sigilo pela Interpol, o que deve aumentar o número do total de procurados em cerca de 30%.

Dois casos de brasileiros chamam a atenção pela notoriedade. Há pelo menos sete meses, policiais buscam pistas do paradeiro do ex-médico Roger Abdelmassih, 67 anos, condenado em primeira instância a 278 anos de prisão pelo estupro de 37 mulheres, entre os anos de 1995 e 2008, em sua clínica de reprodução humana em São Paulo. Investigações apontam que ele teria obtido um passaporte falso no Uruguai e de lá fugido para o Líbano, segundo apuração da polícia paulista. Um ótimo destino para um foragido, já que a nação do Oriente Médio não possui tratado de extradição com o Brasil. “Caso ele seja preso nesse país, a extradição pode ser pedida, baseada no princípio do direito internacional da reciprocidade”, explica Navajas.

Em situação curiosa está um habitué dos tribunais brasileiros na qualidade de réu em diversos processos por desvio de verba pública e enriquecimento ilícito. O ex-prefeito, ex-governador e atual deputado federal (PP-SP) Paulo Maluf está praticamente impedido de sair do País desde março do ano passado, quando a Justiça americana emitiu mandado de prisão contra ele e seu filho, Flávio Maluf, pelos crimes de conspiração, auxílio na remessa de dinheiro ilegal para Nova York e roubo de dinheiro público em São Paulo. “As acusações são falsas”, estrilou Maluf na época. Em tempo: o parlamentar não pode ser preso pela Interpol aqui porque a legislação não permite que um brasileiro seja extraditado do País.

A maioria dos brasileiros procurados é acusada de crime de tráfico de drogas. Mas, nos últimos anos, aumentou o número dos que praticam violência contra crianças, a exemplo de Maria Bernadete de Araújo, 44 anos, procurada pelo Judiciário do Amapá pelos crimes de pedofilia e tráfico de pessoas. Existem também os genocidas, a exemplo do tenente-coronel Antonio Arrechea Andrade, 81 anos, nascido no Paraná e naturalizado argentino e fugitivo há oito anos. Ele é procurado pela Justiça espanhola pela acusação de crimes contra a humanidade por ser membro da repressão da ditadura militar na Argentina (1976-1983).

As buscas por um bandido podem levar anos. Caçado há 12, Celso Schmitt, mais conhecido como Celso Gaúcho, tornou-se uma dor de cabeça para a polícia. Sua extensa ficha criminal inclui pedidos de prisão em oito Estados brasileiros. No final do ano passado, ele foi incluído como alvo da Interpol durante uma operação especial, que caçou 30 criminosos de alta periculosidade em todo o mundo. Mas Celso Gaúcho não foi encontrado, mais uma vez. Para quem tem contas a acertar com a Justiça, o mundo é um vasto esconderijo. 


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

GUERRA CONTRA AS DROGAS PASSA POR FRONTEIRAS


EDITORIAL O GLOBO, 09/08/2011 às 16h10m

As autoridades precisam cuidar das fronteiras para evitar a entrada de drogas (e, por extensão, de armas para o crime organizado) no Brasil. São uma obviedade tanto a preocupação com as portas abertas para o contrabando de entorpecentes quanto o conselho para asfixiar, com o controle das áreas de limite com outras nações, o abastecimento aos principais mercados do país. A novidade é que, no caso, as recomendações partem de alguém com inegável conhecimento de causa - o ex-traficante Tuchinha, que foi chefe do comércio de drogas na Mangueira e agora, após 21 anos de prisão, renega o passado ligado ao banditismo para trabalhar com o AfroReggae.

Os dois mais importantes centros brasileiros de receptação de drogas e armas, as regiões metropolitanas de Rio de Janeiro e São Paulo, têm registrado estimulantes reduções dos indicadores da criminalidade decorrente do tráfico. Mas são números que ainda estão aquém dos limites aceitáveis para uma sociedade em que a violência deixe de ser a causa de frequentes tragédias. Em grande parte, ações de combate ao crime em todo o país são comprometidas pela inexistência de uma política de segurança estratégica, de que o controle de fronteiras deve ser um princípio, em vez de episódicas iniciativas policiais.

O tamanho do problema é proporcional à extensão das nossas áreas limítrofes. São quase 17 mil quilômetros, dos quais 11 mil quilômetros ligam o Brasil aos três maiores produtores de cocaína do mundo - Peru, Bolívia e Colômbia. Somente os dois primeiros respondem por 60% a 70% desse tipo de droga que entra no território nacional. São carregamentos para o mercado interno e outras regiões do mundo. Segundo um relatório das Nações Unidas sobre drogas e crime, o Brasil tornou-se o maior intermediário sul-americano do tráfico para a Europa em termos de cargas apreendidas.

Um perfil moldado pela tíbia fiscalização de fronteiras. O ex-traficante Tuchinha deu seu parecer sobre a entrada de drogas no país poucas semanas depois de o governo brasileiro ter medido na prática a importância do controle dos limites geográficos.

Graças a uma operação de fiscalização ostensiva, aliada a ações de inteligência e de colaboração com outros países, forças de segurança conseguiram aumentar, entre junho e julho, as apreensões de drogas em áreas limítrofes críticas. O volume de cocaína apreendida cresceu 233 vezes em relação a igual período de 2010, ao passo que a quantidade de maconha subtraída ao tráfico aumentou 65% desde o início de 2011. Tais números mostram que são fundamentais ações concretas de fiscalização na guerra contra o tráfico. Também embutem outra evidência: movimentos pontuais levam a resultados imediatos, mas é inescapável que o país precisa de uma política estratégica, de Estado, com iniciativas permanentes de controle de fronteiras e programas que incluam não só a atuação da Polícia Federal, mas a essencial colaboração das Forças Armadas como forças auxiliares. É importante também incrementar a presença das instituições do Estado nos municípios fronteiriços. É uma questão a ser tratada como prioridade pelo poder público. O novo ministro da Defesa, Celso Amorim, deveria tratar do assunto com prioridade.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - PARABÉNS, EDITORES DO O GLOBO! é preciso "cuidar das fronteiras para evitar a entrada de drogas (e, por extensão, de armas para o crime organizado) no Brasil." É "uma obviedade" que as autoridades brasileiras tratam com desleixo e negligência. Atualmente estão "as portas abertas para o contrabando de entorpecentes", e para o tráfico de armas, munições, animais, pessoas e valores, diante de iniciativas superficiais, imediatistas, isoladas, "episódicas" e sem continuidade que favorecem a ação criminosa.

O editorial acerta em afirmar que "ações de combate ao crime em todo o país são comprometidas pela inexistência de uma política de segurança estratégica" e que o governo não observa que o "controle de fronteiras deve ser um princípio"

Concordo com a conclusão do Editorial que só "uma operação de fiscalização ostensiva, aliada a ações de inteligência e de colaboração com outros países, forças de segurança" possam tornar este controle mais eficientes e aumentar as apreensões de drogas em áreas limítrofes críticas e que é preciso "uma política estratégica, de Estado, com iniciativas permanentes de controle de fronteiras e programas que incluam não só a atuação da Polícia Federal, mas a essencial colaboração das Forças Armadas como forças auxiliares". Entretanto, saliento que a medida principal para o sucesso desta política de segurança nas fronteiras passa pela criação e instalação de uma POLÍCIA NACIONAL DE FRONTEIRAS para manter ligações entre as demais forças, estabelecer bases fixas e móveis e executar o patrulhamento ostensivo, discreto e repressivo permanente e contínuo ao longo das fronteiras, pelo comprometimento institucional da missão e pela permanência na vigilância das fronteiras do Brasil.

Daí sim veríamos sucesso no Projeto PEFRON

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

NA SELVA, TRAFICANTES CERCAM GRUPO DA FUNAI

CONFLITO NA SELVA. Traficantes cercam grupo da Funai - ZERO HORA 08/08/2011

Um grupo de cinco funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai) que atua em um posto de proteção a índios isolados na selva amazônica se disse “cercado’’ por traficantes armados em território brasileiro. Eles temem um ataque às aldeias. A base da Funai fica a 23 km da fronteira peruana e a 231 km da cidade brasileira mais próxima, no Acre.

Parte dos índios, cuja etnia ainda não foi identificada, tem sido filmada e fotografada desde 2008, o que atraiu a atenção internacional. A equipe da Funai no posto é formada por alguns dos mais experientes servidores do órgão, como o coordenador-geral de índios isolados, Carlos Lisboa Travassos. Por e-mail, Travassos relatou a situação:

– Estamos totalmente cercados. E não faremos nada até que se tomem providências e saibamos exatamente o que esta tropa peruana está fazendo aqui, no Brasil, em área de ocupação restrita dos índios isolados.

Travassos disse ter certeza de que os invasores são peruanos e estão armados.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

PM TENTA PASSAR COM MUNIÇÃO DE CAÇA

Policial é preso transportando munição importada sem autorização em Rio Grande. Denilson Nunes Delgado, de 45 anos, foi abordado em um ônibus e preso em flagrante - zero hora, RBS TV RIO GRANDE, 03/08/2011 | 00h00min

Um policial militar de Turuçu, região Sul do Estado, foi preso em flagrante nesta sexta-feira em Rio Grande transportando munição comprada no Chuy. Segundo a polícia, Denilson Nunes Delgado, de 45 anos, trabalha há 22 anos na polícia e foi preso em flagrante dentro de um ônibus no distrito de Vila da Quinta, transportando 225 cartuchos de munição utilizada para caça embaixo do assento do veículo.

O policial não reagiu e foi levado para a Superintendência de Policia Federal de Rio Grande, onde foi preso por importação de munição sem autorização, com agravante pela condição de ser um militar. Ele será transportado nesta noite para o presídio militar em Porto Alegre.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

REDE COMANDADA POR GRUPOS INTERNACIONAIS INFILTRADOS

Grupos internacionais infiltrados no Brasil comandam rede de narcotráfico - Alana Rizzo, Enviada Especial - CORREIO BRAZILIENSE, 01/08/2011 08:52

São Paulo — Há, no país, um grupo de novos brasileiros que quase ninguém vê. Se tiverem sorte, nem a polícia. Os sérvios Goran Nesic e Dejan Stojanovic estavam nesse seleto time, até serem presos. Constavam em listas internacionais de procurados pela Justiça, mas, no Brasil, levavam uma vida quase protocolar. Evitavam relacionar-se com vizinhos e também não ostentavam todo o luxo que tinham. Casados com brasileiras, eles elegeram o estado de São Paulo para viver e comandar o lucrativo mercado do tráfico de drogas. A escolha levou em consideração a infraestrutura da capital e a localização geográfica em relação ao Porto de Santos. Uma agência de turismo na capital paulista garantia a fachada do negócio.

Durante dois anos, o grupo, formado por outros cidadãos da antiga República da Iugoslávia, foi monitorado pela Polícia Federal. Mesmo com visto de permanência no país, concedido pelo Ministério da Justiça, o grupo do Leste Europeu usava documentos falsos — todos tinham vistos regularizados — para garantir a entrada e a saída do Brasil. Nesic, por exemplo, tinha quatro identidades falsas: duas sérvias, uma argentina e uma brasileira. A remessa de cocaína era feita pelo mar. A droga era comprada na Bolívia, passava pelo Brasil e seguia para a Europa e a África do Sul. Cooptavam tripulantes estrangeiros de navios cargueiros ou de cruzeiros de turismo para transportar a carga.

A cocaína era transportada por tripulantes dos navios, escondida no corpo ou em bagagens de mão. Ou pelo método conhecido como “pescaria”, no qual a coca era levada em flexboats (sofisticados botes infláveis com potentes motores de propulsão), à noite, até bem próximo do navio ancorado, para ser então “pescada” para o interior por algum tripulante aliciado pela quadrilha. Outro método utilizado pelos criminosos que atuavam no Espírito Santo era o de ocultar drogas em blocos de granito e mármore para enviá-los à Europa. Uma fiscalização da Polícia Federal descobriu o esquema e foram encontrados no interior das rochas 179 pacotes de cocaína, totalizando 158,7kg do entorpecente.

Núcleos

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) identificaram a atuação de três núcleos no país, distribuídos em três estados. O cérebro ficava em São Paulo e era composto por estrangeiros. Na Região Norte, brasileiros controlavam a chegada da droga e, no Espírito Santo, o grupo coordenava as ações portuárias. Os portos escolhidos geralmente estavam ao sul. Cada uma das células era ainda subdividida entre financiadores e colaboradores.

A investigação começou a partir de informações da Serious Organized Crime Agency (Soca), da Inglaterra, e contou com o apoio da Drug Enforcemente Administration (DEA) e das polícias da República Sérvia e da África do Sul. Com o grupo, foram encontrados R$ 2 milhões e 620 quilos de cocaína. A Justiça acatou o pedido do bloqueio das contas bancárias, o sequestro de 31 imóveis, 15 veículos e três barcos. O patrimônio da organização é avaliado em R$ 16 milhão.

Dos 29 denunciados pela Procuradoria da República em São Paulo, seis agiam no núcleo que operava no Espírito Santo e cinco pessoas em estados da Região Norte. A Justiça Federal desmembrou as denúncias relativas a esses réus e as remeteu para as unidades da Federação correspondentes.